30.1.04


Então esse é um post comemorativo (gasp, cof cof cof). Último dia útil de férias. Útil não sei porquê. Porque serve pra eu utilizar meu restinho de tempo fora do reformatório camuflado de colégio moderno que é o Rio Branco, talvez. Sei lá. Eu ainda vou patentear essa expressão. Sei lá. Desencana. Não quero bancar a filósofa aqui, ninguém sabe mesmo. Não quero explicar. Cansei de explicar, queria só mandar se foder e agüentar meu jeitão retardado de menina boba que adora música.

Comemorativo porque eu vou rever algumas pessoas legais das quais eu sinto falta.

Comemorativo porque talvez signifique mais um blog abandonado e assassinado, mas talvez não.

Comemorativo porque eu volto a estudar literatura e, sim, eu sei que não preciso ir pra escola pra estudar literatura, sei que posso comprar livros e ler em casa, aprender sozinha, sei de tudo isso. Sei, principalmente porque eu sempre fui autodidata e sempre aprendi melhor as coisas que pesquisava by my self. Até física eu aprendi quando resolvi que queria. Professores nem sempre prestam. Quase nunca prestam, aliás. Mas quem disse que nas férias eu arranjo tempo pra sair por aí pesquisando livrinhos fodas sobre literatura? Quer dizer, tempo eu tenho, mas, sabe, nas férias é preferível gastá-lo com TV e música e livros não-didáticos que eu não terei tempo de ler depois. E já que eu tenho que ir pra aula, seja pelo menos pra aprender alguma coisa que eu realmente gosto, já que aula de música eu não vou ter. E nem quero, pra falar a verdade. Quem faz aula de música toca instrumentos, compõe, canta e eu não faço nada disso, eu só curto música do modo mais primitivo e idiota possível, por favor. Só curtindo. Lalala, vou patentear o lalala também. Se eu aprender literatura sozinha, nas férias, o que raios vai amuse me durante o ano letivo? God help me, eu preciso ser amuseada naquela escola.

Falando sério, eu queria sim ver algumas pessoas, mas não sei se vai rolar, porque as pessoas passam a estudar de manhã e a dorminhoca aqui continua estudando a tarde, na classe dos alunos novos com quem eu não converso e dos velhos com quem eu converso por obrigação. Sobre tudo o que eu não quero falar.

Hoje é meu último dia útil. Útil de tudo, não só de férias. A partir de segunda eu volto a desutilizar minha vida. Lá no rio Branco você não vive, eles vivem por você, mas eu já tô acostumada, deixa pra lá. Sem beijinhos, por favor, hoje eu fui lá no colégio tentar descobrir em que maldita sala eu estou e só descobri que os banheiros continuam tão fedidos quanto antes. Os inspetores tão rabugentos quanto antes. O pátio tão cinza quanto antes. E a lista das classes só sai lá pelas quatro horas, mas de jeito nenhum eu boto os pés naquela escola novamente antes de segunda.

Hoje é meu dia de Terra do Nunca, e só por hoje eu nunca mais volto pra lá, nunca mais cumprimento um professor, nunca mais banco a legal-simpática-cheia-de-novidades-pra-contar. Hoje em meu quarto vivem Peter Pan, Sininho e os meninos perdidos e nós estamos dançando ao som de Morrissey enquanto a chuva maravilhosa bate na janela e o céu cinza enche o quarto de sonhos e nós não crescemos, nunca mais. Fingir que não tá um puta sol amarelão deprimente lá fora, fazer de conta que o céu tá chorando um chuva dolorida, apertada, como aquele gostinho ruim que fica na boca depois que a gente come só um pedacinho de um doce maravilhoso. Só por hoje, vai.

Me faz companhia?

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