16.3.07

sobre os dias felizes II

quando os sons se movem em tantas direções contrárias e a gente fica no meio ouvindo e querendo gritar de tanto amor - sobre estar sufocada em gritos.

talvez eu comece a ter certeza do mundo a partir de agora - agora, que pessoas perdidas no meio dos acontecimentos se recuperam e os sorrisos são calmos e azuis (azuis!). e é tanta coisa inominável; as conversas espontâneas, os carinhos repentinos, os encontros e reencontros e o reflexo meu em tantas outras pessoas que eu não esperava encontrar. como sempre.

como sempre é no momento em que eu paro de esperar, em que eu não espero nada , em que eu desisto de querer que eu passo a ter certeza do mundo; tanta certeza que chega a dar nojo, mas ainda assim certeza, um nojo bom, um bem estar nauseante - dorzinha latente no centro de uma massa corpórea que não me pertence mas sou eu.

e quem sabe isso seja o que eles chamam de 'se encontrar', porque é fácil e extasiante e, de verdade, eu me sinto bem. me sinto bem e moderna e com vontade de repetir palavras e transformar palavras em abraços e abraços em verbalizações. e frases em felicidade transbordante.

eu tenho vivido - verdadeiramente - todos aqueles advérbios de intensidade que antes eu usava para descrever insignificâncias, inexistências, idiossincrasias... agora eu tenho conseguido aproveitar segundos de sinceridade com tanto ardor que nem parece eu, parece livro, quadro, muito provavelmente música! parece qualquer coisa inventada reformada desusada e agora repartida por mim em frações de bem-estar latejante.

pulsam por trás resquícios dos outros dias, dos tempos em que eu me encarcerei e quis sofrer pelo que eu não tinha - mas são resquícios latentes, presentes, porque... porque sim. são pendências das quais eu ainda não tive coragem de me livrar, que me esgotam, sim, às vezes, mas que me conectam a um mundo de certezas futuras (que talvez eu não deseje mais, mas são certezas - é dificílimo abrir mão de certezas, não importa quão desatualizadas e mortas elas estejam) e carências íntimas e lembranças de tardes alcóolicas e paixões infinitas... que não sei se ainda fazem parte de mim, mas é complexo decidir entre deixar para trás esses pedaços que costumavam ser minha vida ou correr o risco de desperdiçar 5, 10, não sei quantos anos tentando descobrir se eles ainda me definem.

à parte as dúvidas (sem elas seriam outras de qualquer modo), tenho conseguido sentar, pensar e sorrir - me encaixar na minha própria existência sem grandes danos ou dores. estes têm sido bons dias, como há muito não haviam sido e como eu já não esperava mais virem.

vieram - irão embora, logo, talvez - e vivo todos de uma só vez; tenho sede de calmaria e essa tem sido capaz de me adormecer nas noites imprevisíveis sem grandes medos e sem tempestades interiores.

quanto às tempestades externas - que venham também -, não me recordo das que passaram e não temo as que me esperam. vivo! vivo, finalmente, as cores, os perfumes e as risadas, e, preciso reafirmar, me sinto bem.

estou bem e isso é tudo.

Nenhum comentário: