27.1.09

uma vez eu disse que o amor é a doença dos otários - quanta mágoa havia nessa afirmação.
hoje eu me coloco - cara a tapa - na posição de poder dizer quão ridículo me soa a vontade das pessoas de retornar ao familiar, ao que já se conhece, é aquela situação em que ninguém quer crescer ou permitir que o outro cresça.
a descoberta de novos amores é sempre tão mais abrangente do que retornar ao hábito de velhas paixões, paixões adormecidas, paixões conhecidas. qual é o grande medo das pessoas de se entregarem ao novo, à possibilidade de um outro alguém conhecer cada milímitro do seu corpo, à chance de sentir vontade de memorizar o cheiro de uma pessoa nova, sentir saudade da textura de um cabelo que tem uma cor diferente, um corte diferente.
as sensações são todas tão infinitas, e tanta gente por aí querendo se manter estático numa doença que nem é mais amor, é só obsessão, ou aquela velha mania humana de se agarrar a algo só porque é fácil permanecer do mesmo jeito pra sempre.
até mesmo o erro da novidade é mais interessante do que se manter amarrado a velhos amores. até o sofrimento do novo é melhor, mais poético, do que o sofrimento do antigo. até a dor precisa ser atualizada.
que hábito escroto de querer sentir dor o ser humano tem.

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