4.2.09

eu lembro muito das coisas, sabe. assim, demais. eu lembro de conversas, lembro do que as pessoas me falaram, lembro do que elas tavam vestindo, lembro da cor das unhas. agora multiplica isso por todas as pessoas que eu conheci na vida, vezes todas as roupas, todas as conversas, todas as cores de olhos, todos os cabelos, todos os scraps, todos os emails, todas as mensagens de celular... meu cérebro é um poço de lembranças inúteis.

ao mesmo tempo, eu não lembro onde eu tava quando o ayrton senna morreu nem quando o obama venceu a eleição, não lembro da fórmula de baskara que eu tanto penei pra decorar e não lembro de nenhum vencedor de american idol nem america's next top model.

mas eu lembro que no dia que meu avô morreu, minha mãe entrou no quarto e desligou os despertadores, e de repente minha irmã berrou que a gente tava atrasada pra escola, e minha mãe veio e disse "vocês não vão pra escola hoje, o vovô morreu". e minha irmã se enfiou embaixo do lençol e chorou. eu não chorei, eu liguei a tv e tava passando um show do morrissey. isso foi em 2005.

quando eu tinha 13 anos eu joguei fora todas as cartinhas, bilhetes e cartões que tinha recebido de amigos e familiares e guardava desde a primeira série. nunca guardei mais nada do tipo desde então, eu não precido guardar, porque eu lembro de tudo.

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