27.8.09

as minhas pequenas inspirações diárias têm se mostrado cada vez mais ocas. hoje um professor disse assim: contos deliciosos são ligeiros, mas sem profundidade; e eu pensei vou escrever alguma coisa com essa frase, porque é bem o que eu sou: ligeira, mas mas rasa. mas mudei de idéia logo depois, escrever por quê, escrever o quê, escrever pra quem. aí o profesor disse: trinta anos de profundo desengano; e é bem o que eu sou, duas décadas mal-vividas, duas décadas de sonhos e esperanças frustradas desde sempre, mas também decidi não escrever nada sobre isso, e foi nesse momento que o professor disse o seguinte: a vida é tão caprichosa que em uma hora faz a gente se revelar por inteiro. e por isso eu pensei que preciso parar de tentar me colocar inteira em parágrafo por parágrafo, não há palavra que me resuma e ao mesmo tempo eu me sei tão bem, qual é a dessa mania de me fazer compreensível pra tudo aquilo que está fora de mim? escrever pra quem?

 a verdade é que eu tenho estado muito solta pelo mundo, vazia de pessoas amores interesses, e até as inspirações que me faziam companhia resolveram me abandonar. e no fim é exatamente isso: muita solidão. não aquele pouquinho benéfico de solidão que faz a gente procurar companhia ou criar melancolias interessantes; muita solidão mesmo, pouco - nenhum - conforto nos amigos e no mundo em geral. do tipo sozinha até dentro da minha própria cabeça, que era tão povoada de idéias malucas, lembranças gostosas, pessoas imaginárias - até minhas pessoas imaginárias sumiram.

(nem conjectura nem opinião, essa frase é do machado, citada pelo mesmo professor, e também me define bem, eu sou assim, escrever pra quê?)

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