11.9.09

don't let the sun blast your shadow


depois da quinta cerveja tudo fica mais fácil - era uma noite dessas, eu na mesa com três machos, muita fumaça de marlboro light (ou quem sabe o lucky strike de alguém, não sei mais, depois da quinta cerveja todos os cigarros têm o mesmo gosto), na mesa três copos cheios, uma garrafa esperando ser terminada, o bartender lá do outro lado olhava de soslaio esperando a chance de trazer a próxima; me pego conversando com um cara da mesa ao lado, não sei quem puxou assunto, não sei o nome dele nem o que ele quer, só sei que ele tem um sotaque mineiro e está falando de belo horizonte, de repente ele é curitibano, comenta sobre as belezas do sul, e num piscar de olhos ele é de portugal, veio pro brasil só com a bateria e 50 reais no bolso, conseguiu se virar com um fusca que está estacionado lá fora com a bateria no porta-malas, mas aqui no brasil se você tem fusca as meninas nem te olham, na europa não é assim não, na europa nada disso importa. aquele papo todo não me interessou, eu já tinha perdido a conta das cervejas que eu já tinha bebido e de quantas faltava beber pra ser ok eu ir pra casa. mais pra trás eu vi uma menina dessas loiras bem loiras que descolorem o cabelo pintam os olhos de preto e têm tatuagem, dessas bem sou do rock mas sou piriguete, ela tava na cola de algum rockeirinho wannabe, anthony kiedis cover, desses bem que a gente encontra em toda esquina, desses que dão preguiça, ah, que preguiça desse casal, da tatuagem no braço da menina, do jeito que ela dançava enquanto a música tocava, e aquela noite se estendendo por horas; perdi a conta de quantos bares passaram por nós, quantas cervejas baratas, quantas bitucas de cigarro, não há o não-fumar como não há o não-beber, certas coisas são inerentes a nós, às noites, aos bares.

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