19.10.09

querida anna,

hoje daniela passou por aqui perguntando por você, diz que você sumiu, não retorna as ligações. ela me pareceu muito preocupada, mas eu a acalmei, expliquei que seus sumiços são recorrentes, é assim que você sabe que está viva, quando prova pra si mesma que pode desaparecer sem satisfações, sem laços. ela não me pareceu muito convencida, mas você conhece bem daniela, nada que um baseado e algumas xícaras de chá não resolvam. achei engraçado, anna, ela é muito você em tantos aspectos, tem aquele mesmo olhar de quem acha que sofrer é amar demais, tem as unhas vermelhas como as suas, tem vícios como você, mas os seus são mais bonitos, menos exagerados, mais sinceros. ela me olhou tão fundo com aqueles olhos castanhos e ágeis que eu achei mesmo que você a tivesse mandado pra relatar minha vida em todos os pormenores. mas anna, o mais importante, o mais essencial, o que daniela conseguiu me mostrar que eu não enxergava com mais nenhuma que eu trazia pra cama é que eu não posso, nunca pude, me bastar em você. anna, você nunca seria capaz de me envolver por completo.

antônio

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