14.11.09

enterrando ana cristina



porque é bem assim que funciona: sal numa mão, limão à espera, e o shot amargo pra dentro. tequila, meu bem, mata tudo, até o amor próprio. não que eu seja exatamente munida de amor próprio - certamente, se fosse, não tentaria me perder tanto nas noitadas regadas a drogas lícitas ou não - o que eu procuro não é o amor próprio, mas o amor alheio. que é ainda mais raro. e ainda mais raro a cada embriaguez; minha embriaguez já é histérica, minha loucura é desespero, minha risada alcoólica é parede. eu escondi toda a minha coragem social pra usar só nas noites, onde eu sou anônima e posso dizer o que quiser, sonhar o que quiser e beijar quem eu quiser. no dia seguinte a gente finge que nada aconteceu, e é assim: nada continua acontecendo sem previsão de fim. é sórdido e triste, mas é tudo que eu tenho: nos contentamos com pouco, nós, nessa falta de saída que é ser humano.

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