11.11.09

eu tenho pensado bastante no começo da minha adolescência. quer dizer, tenho pensado bastante na pessoa que eu era quando tinha uns treze, quatorze anos, e é impossível não conseguir me livrar do clichê ridículo de como as coisas eram melhores. quer dizer, a minha adolescência foi um lixo, eu era uma esquisita que me forçava a me encaixar nos grupos mais impropícios e absurdos, na escola eu tinha vontade de chorar de tanto que a inadequação me pesava, e no clube... bom, no clube eu era uma menina feia no meio de um monte de meninas bonitas. uma menina tímida no meio de meninas populares, uma menina baixinha no meio de pernas longuíssimas, eu era o erro. mas disso eu tenho consciência agora. o que eu lembro é de passar as férias na beira da psicina, sem me preocupar com os meus ombros vermelhos no fim do dia, sem me preocupar com celulite ou gordurinhas extras apontadas pelo uso do biquini, sem me preocupar com o cabelo que ia ficar ressecado ou com as unhas que tavam mal-feitas. o que eu lembro é que a melhor parte do dia era assistir os meninos de 16, 17 anos jogando volei enquanto eu tomava sol e sonhava com algum deles, algum sonho bem bobo e inocente de adolescência ainda não frustrada; eu tinha tantas paixões platônicas naquela época e era tão gostoso, eu lembro de tomar cerveja com as meninas pros meninos acharem que nós éramos muito legais, eu lembro de querer ser mais velha e mais madura, poxa, eu lembro de tanta coisa boa, onde é que foram parar essas sensações todas? em algum lugar do caminho eu decidi abandonar aquela adolescente esquisita e despreocupada e virar essa quase-adulta desesperada e sozinha, não sei como nem quando exatamente isso aconteceu, não sei nem se é possível me arrepender dessa mudança, mas a questão é que eu nunca mais tomei sol na beira da piscina sem preocupações babacas estéticas e eu sinto falta de ligar muito pouco para a imagem que eu tenho de mim mesma.

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