15.2.10

look under your bed - it'll set you free!

[acho que esse post tem SPOILERS do filme QUASE FAMOSOS]

acho que pouca gente sabe que meu filme favorito é almost famous (e vamos deixar de lado aqui os filmes obrigatórios para ser bom conhecedor da tópica do cinema, eu tô pouco me fodendo para a necessidade alheia de apresentar conhecimentos enciclopédicos ciematográficos, oras bolas) e é claro que é um filme incrível que retrata the last gasp of rock 'n' roll, não é disso que eu queria falar.

eu acho muito curioso que todo mundo que goste desse filme afirme se identificar com
- william miller
- penny lane
- russel hammond

pra começo de história, o william pode, sim, ser uma gracinha e a gente tem vontade de abraçar ele cada vez que ele abre a boca ou dá aquele sorrisinho encabulado inocente, mas eu duvido que haja verdadeira identificação com o personagem. quer dizer, o cara é foda, sabe tudo de música, escreve pracaralho - ou seja, ele é o que todos nós gostaríamos de ser. mas o que as pessoas esquecem ou fingem esquecer é que ele é o ZOADO da escola. o LOSER. o cara que não tem amigos. tá certo que por acaso ele conseguiu conhecer o lester bangs e conseguiu acompanhar uma banda grandiosa em turnê, mas eu duvido que se qualquer um de nós estudasse com william nós sequer saberíamos quão foda o cara é. no máximo a galera ia tacar umas bolas de papel amassado na cabeça dele.

aí tem a penny lane. tá, ela é apaixonante, ela é doce, ela é linda, ela tem os cachos mais perfeitos da história do rock. toda menina que vê o filme quer se penny lane (eu, particularmente, queria ser a polexia, que é uma das personagens mais esquecidas e ignoradas, mas da turma de gruppies, a mais interessante. quem sabe eu discorra sobre isso em algum outro post). o que toda-menina-que-quer-ser-penny-lane esquece é que ela tá dando pro cara casado. mais do que isso, ela tá dando pro cara casado que deve comer outras milhares de gruppies. além do que, ela tá dando pro cara casado depois de muito provavelmente ter dado pra todos os outros caras da banda, sem contar todos os outros caras de OUTRAS bandas. acho essa glamourização da gruppie muito fake, muito forçada. mesmo porque todas as meninas que dizem querer ser penny lane devem na verdade odiar as verdadeiras gruppies de suas bandas favoritas.



já o russel hammond é o cara misterioso e bonitão, o sex symbol da banda, o gênio que na verdade está muito acima do potencial de seus colegas. ah, pensando desse jeito eu também quero o cara pra mim. a real é que o russel é um filho da puta. não importa que no final ele vá parar na casa do william, dê a maldita entrevista finalmente e libere a reportagem pra rolling stone. ele só fez isso porque a porra da mina que ele comia empurrou ele pra lá sem que ele soubesse. e ELA só fez isso porque ele tinha perdido a trepada fácil e foi tentar recuperar, ligando pra ela. ou seja, o cara não pensou melhor e resolver remediar os seus atos, ele foi forçado a fazer isso pra conseguir voltar a comer a penny lane. da banda, eu prefiro o jeff [primeiro porque o jason lee é lindo - quem consegue esquecer o personagem dele em vanilla sky? segundo porque ele é mais for real, não tem máscaras, fala a real sempre e quer que se foda se ele tá errado ou se tá sendo egocêntrico. isso acaba sendo muito mais interessante].

tá certo que esses três personagens são a base do filme, e sem eles não tem nem história. mas eu não acho que por isso eles sejam os mais interessantes ou mais encantadores. primeiro, como eu já disse, tem a polexia e o jeff que são mais um plano de fundo pra coisa toda ser verossímil, mas mesmo assim tem uma presença e uma personalidade absurda. eu acho mesmo que o jeff sempre rouba a cena quando o foco é o stillwater e a polexia definitivamente vira o centro quando ela aparece ("forgive me father, for i may sin tonight" deve ser a melhor frase do filme. e o modo como ela descreve o jogo de sedução entre penny e russel tá no meu top 10 cenas de filme).



fora esses dois, que têm um apelo mais sexual do que qualquer outra coisa, tem a elaine miller, mãe do william. A ELAINE, GENTE! como é possível admirar o william sem VENERAR a elaine? pra começar, frances mcdormand rocks my stinky socks. segundo, o discurso de uma mãe retrógrada anti-rock que dá aulas numa universidade e cujo filho perde as provas finais para acompanhar uma banda de rock em turnê é BRILHANTE (lembrando que a filha mais velha de elaine já tinha ido embora de casa sem grandes satisfações para se livrar do gênio controlador da mãe). a construção dessa personagem é GE-NI-AL. a primeira cena em que ela diz que a palavra "x-mas" não existe já dá o tom pra que se entenda quem é william miller e como o contato com todas aquelas pessoas tão díspares do mundo do rock vai afetar sua vida.



e a melhor - MELHOR - personagem do filme pra mim e a provavelmente mais esquecida e subestimada é a outra que permite que a gente entenda porque william miller é william miller. anita miller! anita miller é impossível de se descrever em palavras - mesmo porque é a zooey deschannel, né, gente. quer dizer, não tem como ser uma personagem pequena. pra minha falta de habilidade descritiva, só vou dizer o seguinte:

ONE DAY YOU'LL BE COOL.

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