14.3.10

beware of the dog



hoje eu vou falar de amor. não qualquer amor, mas amor mesmo, desses que existem pra todo-o-sempre-amém, desses que nascem na gente quando a gente menos espera e vão crescendo e tomando todo o espaço livre entre os intestinos e rins e pulmões até que a gente fica totalmente lotado e esgotado de tanto amor.



o amor se chama doutor cachorro. e eu já falei disso aqui, já falei que o toby leaman é lindo, já coloquei vídeo de hang on, já falei das minhas músicas preferidas, mas cara, acho que nunca vou conseguir demonstrar.



sei lá, é coisa assim sem explicação mesmo, sem palavras que possam resumir. não é toda a vibe sixties, que eu amaria anyway em qualquer banda, não é porque o lou reed também adora, nem porque they're easy on the ears. é o que eu vi aqui: The songs are easy to like, as lead vocalist Scott “Taxi” McMicken sets the tone with a broad range of barks – sometimes tender, sometimes gruff. Behind him are plenty of Beach Boys-style backing vocals, distorted guitars, cool bass lines and soulful piano parts.



dr. dog é bem aquele tipo de banda que até os mais conservadores rock'n'rollers, daqueles dizem que o rock morreu nos anos 70, gostam. porque a música é obviamente cheia de influências e retrozismos, mas não é.. pedante. é simples e sincera, falta neles aquela sensação artificial de tantas bandinhas boas por aí.

até quando eles fazem covers eles soam honestos e cheios de amor. quer dizer, acho que dr. dog deve ser a banda mais honesta dos últimos tempos.



poucas bandas me tocam tanto quanto eles. eu não sei se talvez eu tenha conhecido eles numa fase ligeiramente tensa da minha vida, e desde que eu me dou por gente música me tirou da merda, e talvez por isso eu tenha uma relação com eles que eu não teria setivesse conhecido, sei lá, esse ano, ou no fim do ano passado, mas é bem aquilo: considero algumas das músicas plenamente responsáveis pela pequena melody que surgiu dentro de mim do começo do ano passado pra cá. e também devo dizer que eles me fizeram voltar a acreditar no amor. e nas pessoas. e se algum dia eu tivesse parado de acreditar nos cachorros, isso teria sido também resolvido.



o que acontece com bandas no geral que tentam forçadamente essa estética sonora "antiga", ou seja lá como se diga isso, é que fica uma puta impressão de demonstração de virtuosismos musicais e falsas profundidades artísticas e pouca ALMA. dá pra entender? não que essas bandas sejam ruins, eu gosto de várias delas, mas elas não falam comigo, assim, de verdade.

é o que eu li num artigo uma vez:
Dr. Dog is the kind of band that wanders the streets with no collar.
While other creatures of the same species (i.e. other bands) are licking their butts, Dr. Dog is on the prowl — but as cerebral rockers. This beast of a band isn’t just looking for a leg to hump, it’s actually an intellectual thinker searching for answers to questions about life, connection, and as their newest release suggests, Fate.
o que eu tô tentando dizer é que dr. dog é aquele tipo de banda raríssimo que consegue tocar nos mais sensíveis aspectos das nossas vidas sem ter aquela pretensão de nos "iluminar" ou encontrar a grande verdade. isso é trabalho que eles deixam pra nós.



nada disso que eu disse foi coerente, ou informativo, ou sequer interessante, mas sobre certas coisas não existe objetividade que sobreviva. ademais, the world may never know.



Um comentário:

lafemmerompue disse...

isso :"vão crescendo e tomando todo o espaço livre entre os intestinos e rins e pulmões até que a gente fica totalmente lotado e esgotado de tanto amor" me lembrou de uma das coisas mais lindas e que mais me tocaram até hoje que eu li. me lembrou disso, ó:
“Diz-que-direi ao senhor o que nem tanto é sabido: sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois.”

e o seu trecho é como se fosse a parte final desse trecho que colei aqui (do segundo tipo de amor) desdobrada. eu achei lindo.