8.3.10

eu tenho escrito coisas pretty much impublicáveis, mas a questão toda é a seguinta: as relações interpessoais, o que a gente espera delas, o que as pessoas esperam da gente, e o que raios está esperando por nós no fim dessa loucura toda. e eu tô dizendo isso sem amargura nenhuma, sem mágoa nem tristeza, tô só constatando o mais óbvio de todos os óbvios que a gente vê na tv, ouve nas músicas, lê nos livros; pessoas são difíceis. acho que é por isso que nos últimos tempos eu tenho preferido minha cachorra a qualquer um dos meus amigos, até aqueles melhores de todos do mundo, até aqueles que existem sem cobrança, até os antigos e os novos.

mas nem é isso que eu queria dizer, porque se eu for entrar na questão de amizades eu vou é acabar falando demais sem dizer nada, que é o que eu sei fazer bem anyway, e ainda por cima vou sem querer ofender uma pessoa ou outra ou muitas ou até mesmo todas, e não é essa minha intenção. outro dia eu tava conversando com um amigo bem sobre isso exatamente, a tal da problemática de se aproximar demais das pessoas e tomá-las por melhores amigas e aí perceber que essa coisa do melhor amigo só serve pra gente poder destratar os outros sem motivo nem razão, porque se é amigo mesmo vai entender todas as nossas grosserias e pouco caso. não é assim, foi o que eu disse pra esse meu amigo, acho que o pessoal costuma esquecer que delicadeza - é isso mesmo: de-li-ca-de-za - é um bem maior e necessário até para com aqueles que nos são mais próximos e íntimos. eu tomo todo o cuidado do mundo pra não ser indelicada com meus amigos, pra respeitar suas dúvidas e mágoas e problemas mesmo que eu ache que não tenham importância; mais do que isso, eu tomo todo o cuidado do mundo pra não impor as MINHAS dúvidas e mágoas e problemas como questão central da conversa, do momento, do mundo; mas o que acontece é que os outros não agem assim, e eu acabo sendo forçada a ouvir um monte de ladainhas infantis e babacas e ser prestativa e tentar ser solidária e ter bons conselhos, mas quando eu quero expor um probleminha bem pequenininho que mora aqui dentro de mim eu acabo levando patadas e tiração de sarro desnecessária.

mas ONCE AGAIN, não é sobre isso que eu queria falar, mas mesmo assim quis deixar registradas essas pequenas reflexões que eu e meu amigo tínhamos em comum sobre pessoas diferentes.

o que eu queria dizer na verdade é que eu tenho escrito coisas pretty much impublicáveis. não sobre esses tais amigos citados aí em cima, mas sobre, bom, sobre o resto. meu maior medo no momento é cair naquele lugar comum das pessoas apaixonadas porque, né, maior mico. quando a gente entra naquele espectro das pequenas certezas e daquelas sensações leves e boas tudo fica meio brega e desinteressante - pros outros, i mean. pra mim não haveria interesse maior do que breguice e desinteresse e.. tá, isso foi uma mentira. kinda. talvez tenha sido uma meia-verdade. não estou me fazendo clara porque o que eu tô tentando dizer desde o começo é que a vida tem sido boa. corrida, mas boa. e eu tenho me sentido bem e feliz. e esse tipo de coisa não se dá por si só, if you know what i mean, e o que eu tô tentando dizer DE VERDADE é bem isso: que eu não sei falar sobre o fato de eu estar bem não só porque as faculdades tão legais e o emprego tá tolerável e a casa nova é linda e minhas unhas cor-de-rosa são um arraso. tô bem porque tô bem porque tô feliz porque gosto de cantar com a janela do carro aberta. mas também não é isso.

vou resumir tudo contando pra vocês, queridos leitores, que ontem ganhei um livro, o que foi ótimo porque eu tava sem nada novo pra ler, e mais importante, sem nada pra ler que me empolgasse for real. e também vou dizer que hoje eu desenhei uma beringela que ficou quase perfeita, não fosse pelo fato de parecer uma beringela estragada. e também desenhei uma pêra que ficou bonita. já o pimentão e o alho não foram motivos de orgulho, mas tentarei com mais afinco da próxima vez.

mas também não é isso que eu queria dizer.

Um comentário:

Anonymous disse...

oq serah q vc keria dizer/