23.4.10

cara, existem umas coisas nesse mundo que são muito geniais. na minha lista de coisas nesse mundo que são muito geniais definitivamente estão as comédias-semi-indies-semi-românticas-pós-adolescentes-na-verdade-bem-mais-adolescentes-do-que-nós-gostaríamos-de-admitir-com-referências-musicais-geniais.

desde que conhecemos rob gordon em high fidelity, e especialmente depois do surgimento de dave rygalski e seth cohen, dois personagens dos quais eu já comentei aqui, nós meninas nascidas no meio ou final dos anos 80, criadas e educadas nos anos 90 e, claro, de bom gosto, sonhamos com um adorável rapaz desses que falam rápido demais, ficam tímidos nos momentos mais engraçadinhos e possuem um gosto musical espantosamente legal. é assim que queremos ser conquistadas - não com chocolates, flores, cartões bregas; mas com mix tapes.

eu nem queria falar muito de high fidelity, mas acabei de perceber uma coisa que pode fazer sentido, ou talvez seja só eu falando sem parar pra variar sem chegar a lugar nenhum, mas vocês lembram quando o rob gordon fala sobre a música pop e a tristeza das nossas vidas? vocês devem lembrar, mas não custa nada eu ir no imdb pegar a citação, então:

What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?

eu lembrei disso porque assisti (500) days off summer que tem essa mesma premissa: de que nós somos todos pessoas miseráveis e dispostas a sofrer e nos apaixonar e sofrer mais um pouco num ciclo masoquista sem fim por causa das malditas músicas. aquelas nossas bandas preferidas que falam tudo que a gente sente e também enchem nossa cabeça de ideais loucos e absurdos sobre encontrar o amor e mais do que isso, encontrar alguém com quem valha a pena rir e derrubar sorvete na camisa e agüentar o ronco e andar de mãos dadas.

tom hansen é um desses alguéns. ele tem aquele cute factor do qual é impossível não gostar, mesmo não sendo um galã. ele é gentil e doce. ele ouve smiths no elevador (o que já seria mais do que suficiente pra mim, sweet little smithsmaniac mel). ele tem tudo o que uma suposta summer gostaria e precisaria. eu me apaixonei pelo tom. mas ele obviamente não se apaixonou nem se apaixonaria por mim, afinal de contas, summer was the one for him.



a questão aqui é que a maioria das pessoas já passou por tanta merda regarding love nessa vida que é difícil não se ver na encruzilhada summer versus tom. não sei mesmo qual deles é melhor ser. eu fui uma summer (mentalmente, quero dizer; é claro que eu não fui nem sou uma summer, porque, convenhamos, a mulher é linda e irresistível) por algum tempo e acabei partindo alguns corações com essa certeza absoluta de que amor é uma invenção e de que não vale a pena sofrer e se magoar e desgastar as relações que a gente tem com alguém só pra poder viver alguns meses de paixão linda e inesquecível. mas também já fui o tom muitas e muitas vezes e foi a dor toda de ser um tom e querer ter a pessoa certa em algum lugar esperando por mim que me fez acabar adquirindo essa visão-summer da vida. mas assim como a summer, eu acabei cedendo e voltando ao jeito tom de ser.



acho que no fim das contas todo mundo é assim, a gente passeia por esse lados das emoções até alcançar algum tipo de equilíbrio - como tanto tom quanto summer acabam encontrando no fim. (ops, acho que isso foi um spoiler, foi mal).

toda essa coisa do gosto musical, do menino bonitinho-mas-esquisito e da menina que não se encaixa em todos os padrões e por isso mesmo se torna bonita e interessante também é tratada de um jeitinho ligeiramente mais inocente em nick and nora's infinite playlist. nick e nora, ao contrário de summer e tom, são duas pessoas que ainda não foram totalmente confrontadas com a dor do amor. nick acabou de levar um fora da sua primeira namorada, que é uma bitch, diga-se de passagem, e nora nunca teve um relacionamento for real. os dois ainda não pensam na possibilidade de encontrar "um alguém" como impossível ou absolutamente necessária. é só algo que pode acontecer eventualmente, e quando acontecer vai ser legal e lindo.



o fato de eles não sentirem todo esse peso e uma certa carência que a gente vê no tom e na summer faz o encontro deles ser bem mais tranqüilo (embora haja aquela tensão e cobrança adolescente o tempo todo). o nick, é, claro, o exemplo ideal do tipo de menino que eu mencionei no segundo parágrafo. é claro que michael cera é sempre ótimo pra esse papel (o que é meio triste, porque no fim das contas eu não sei se ele gosta desse papel ou se é o único papel que ele sabe fazer).

a nora já é apaixonadinha pelo nick desde antes de sequer ver o menino - por causa de umas mix tapes que ele grava pra ex-namorada que acabam parando na mão dela. ou seja, nesse mundo ideal mix tapes seriam a melhor maneira de conhecer alguém e saber que você ia se dar bem com esse alguém - e quando vocês se vissem cara-a-cara, esse alguém não ia ser asqueroso, nem fedido, mas um menino bonitinho e tímido.

o resto da história é a mesma fórmulazinha-indie-engraçadinha que se usa pra atrair o grande público bacana desde, sei lá, sempre (não quero falar de high fidelity mais uma vez hehe), passando por garden state, elizabethtown, juno, e etc e tal. ou seja: boa trilha sonora + personagens cativantes e não-óbvios.



no geral, o que eu queria dizer é que é muito fácil se identificar com esse tipo de personagem, é muito fácil decidir que ser um tom vale mais a pena do que ser uma summer (embora isso indique que você vai se apaixonar por uma summer e se foder), mas ainda mais fácil e mais divertido é se imaginar um nick ou uma nora, sem nóias, sem problematiquices de "gente grande", o amor acontece, a paixão é legal e é sempre muito fácil colocar uma música legal pra tocar no carro, no ipod, no quarto, ninguém precisa de trilha sonora previamente planejada para intencionalmente manipular nossas emoções enquanto a gente assiste uma ficção numa tela. as melhores histórias são as nossas.

sim, eu sou brega e ingênua, mas gosto de ser assim.

3 comentários:

Nah Safo disse...

perfeito, eu disse. e repito.

=]

Lena, disse...

oh, so cute! e mto bem escrito. quero escrever assim um dia, mel

Francisco disse...

Wonderful!

A encruzilhada Tom x Summer é uma realidade muito presente, por isso é que acho que o filme acaba ecoando tão forte, porque you really can relate to both.

Retenho a frase da Summer em resposta à pergunta do Tom sobre o que aconteceu nos seus relacionamentos anteriores: "What always happens, life". E o interiorizar dessa realização, por mais óbvia que ela seja, não deixa de ser profundamente pungente.

Oh, and three cheers pra breguice e ingenuidade! =)

P.S. O hopeless sappy indie em mim naturalmente que quis ver o "nick and nora's infinite playlist" mas até agora ainda não teve a chance. O post fez-me querer assistir mal possa. "Love is a mixtape", não é mesmo?