3.4.10

there's thieves among us

with all kinds of lie, the lies i never told at all


(para ludmila)

eu escrevo agora sem nenhuma coerência e toda a mágoa do mundo. não que nada tenha acontecido comigo, ao menos não diretamente, mas existem acontecimentos com os quais a gente não pode não se relacionar. porque eu entendo bem, sei bem o que é ser a pessoa que tá levando a pior, a pessoa apaixonável e panaca, aquela que tá sempre querendo o melhor e não pressente o pior se aproximando. e não adianta, essas somos nós, a gente vai continuar aceitando pessoas e amores dentro da gente sem suspeitas ou instintos de preservação (embora nós gostemos de dizer que, sim, suspeitamos e, sim, nos preservamos), a gente vai continuar vendo a beleza e a bondade dentro de cada um que chegue perto o suficiente pra nos tocar e a gente vai continuar quebrando a cara time after time after time. e eu posso tentar, você pode tentar, nós podemos tentar todos com todas as forças, a gente pode passar a vida toda tentando não sorrir pra essas pessoas que na verdade mereciam ter os dentes arrancados, mas não adianta, nossa natureza é essa, we are the believers, nós acreditamos e vamos continuar acreditando e por mais que a gente se foda, por mais que doa, por mais que nosso coração esteja todo estraçalhado e os pedaços por aí nos bolsos de pessoas que nem sequer lembram da nossa existência, eu acredito ainda assim que o que nós fazemos pelos outros, que a fé que nós temos nas pessoas e nas relações, esse é o tipo de coisa que salva o mundo e sem o qual as pessoas não conseguem existir. eu acho que isso que nós temos tanto de sobra existe bem lá o fundo de toda e qualquer pessoa, e nós somos aquelas que podem fazer isso aparecer. e às vezes pode não funcionar - na maioria das vezes não funciona, e dói demais e a gente vai pouco a pouco achando que a dor é mesmo o padrão e não o mal temporário - mas quando funciona é bonito, vale a pena, e eu tô pedindo pra você agüentar mais um pouco e não perder o restinho de esperança que pode estar vivendo aí dentro de você.



and i know, and you know too
that love like ours is terrible news

Um comentário:

Mari disse...

"a gente vai pouco a pouco achando que a dor é mesmo o padrão e não o mal temporário".

pois é.