2.8.10

sabe gente, uma coisa que amo incondicionalmente sem pudores são bandinhas comerciais dos anos 60. a década de 60 é uma década incrível musicalmente não apenas por causa dos beach boys, de toda a british invasion (quer dizer, né, kinks, zombies, who, beatles, e mais uma porrada de coisas geniais), do bob dylan, do velvet underground e etc, mas porque é uma década na qual a quantidade de bandas fabricadas com uma fórmulazinha pro sucesso se proliferava loucamente, e claro que isso também aconteceu nas décadas posteriores, mas a diferença é que nos anos 60 até essas bandas pré-fabricadas com a intenção única de fazer dinheiro pras gravadoras eram muito boas. tipo muito boas mesmo. e eu amo demais esse nicho pop comercial dos anos 60, amo mais do que seria apropriado (mesmo porque minha banda preferida é beach boys que começou claramente de maneira totalmente comercial com um público alvo definido), mas essa é a real, essas bandas são o equivalente daquela época do que, sei lá, o restart é hoje. só que restart é medíocre e as bandas daquela época não eram.

uma dessas bandas qu eu amo é o gary lewis and the playboys.



everybody loves a clown era uma música que tava numa fita k7 que era uma seleção incrível que meu pai tinha feito pra escutar no carro quando a gente viajava. ela tava no meio de coisas dos beach boys, mamas and the papas, kinks... no meio de várias músicas geniais, tava essa pequena canção que eu sempre achei muito bonita. depois que eu aprendi a ler, escrever, e falar inglês fui atrás da música e descobri a banda e tal, mas a questão é que essa música ainda tem uma ligação louca com como eu me sentia no carro do meu pai indo pra ilhabela. aquela coisa que não dá pra explicar. e acho que vocês todos vão ouvir e pensar "ok, é uma música bonitinha, claramente beatles inspired nas harmonias e logicamente o tipo de música que venderia facilmente na época". e sim, é tudo isso. mas pra mim, ela é um pouquinho mais que isso.

sem contar que essa letra, né, gente, #MEIDENTIFICO.

a coisa com o gary lewis and the playboys é que o gary lewis é filho do jerry lewis (o comediante, não o jerry lee, por favor), e é tipo uma atividade que o bom e velho jerry arranjou pro seu filho entediado com a vida. então a coisa toda foi paga do bolso do jerry lewis e encomendada pra dar certo. e eles são obviamente um apanhado de vozes à la beatles, harmonias à la beach boys e melodias à la monkees (porque nada melhor do que criar uma banda comercial de sucesso imitando OUTRA banda comercial de sucesso, né, minha gente)

mas, sei lá, eu acho mesmo assim que o fato de ser uma emulação total de outras bandas de maior talento e/ou sucesso não tira nenhum mérito deles. acho que uma coisa é imitar beatles e beach boys no começo da carreira, tacando uma pitada de monkees pra soar divertido e, err, vendável (e aí aqui eu teria que fazer toda uma digressão sobre monkees, porque eles eram comerciais, sim, mas eram uma puta banda; tá aí pra provar o pisces, aquarius, capricorn & jones ltd, mas isso fica pra próxima. SEM CONTAR QUE: davy jones, minha gente, DAVY JONES, o vocalista mais lindo e carismático de bandas dos anos 60, sem contar que ele dançava QUE ERA UMA DELÍCIA, e não tá na capa da comunidade VOZES COMÍVEIS à toa. puta voz bonita, benzadeus), mas eu acho que requer um certo talento pra conseguir compor uma música pet sounds wannabe e fazer a coisa BEM-FEITA, ainda que não digna do pet sounds:



eles podiam não ser gênios, mas existe todo uma manuseio talentosíssimo dos intrumentos pra conseguir fazer uma música dessas. é isso, só queria deixar aqui registrado meu amorzinho pelo gary lewis and the playboys e meu respeitozinho pelo trabalho que eles fizeram, fim.

3 comentários:

Anonymous disse...

Oi, vou parar de dar aulas de inglês e virar crítica da Billboard e comentarista da Oi FM. Agora.

mel disse...

hahaha :D



mas continuo odiando anônimos, hm

Francisco disse...

Adorei o post! E as músicas! Também sou apaixonado pelo som das bandas "pré-fabricadas" dos anos 50 e 60.

E sempre achei uma tremenda idiotice todo esse lance de se dizer que uma banda é "comercial" para criticá-la. Claro, a maioria da música mais popular é ruim, mas o que não falta por aí é banda "alternativa" também bem lixão. Como se isso tivesse alguma coisa a ver com qualidade.

Irritava-me solenemente quando no fim da década de 90/início dos anos 2000 via a imprensa proclamando a "volta do rock" através do new metal ou dos fãs de Limp Bizkit, por exemplo, indignados contra o "pop insípido" que dominava os charts (era a era de ouro das boy bands e girl performers) e achando-se muito cool por gostarem de uma banda que no fundo era tão comercial quanto.

Lembro também da vez no Woodtsock 99 em que o Offspring bateu em bonecos representando os Backstreet Boys (lógico que o fã em mim não gostou, but that's not the point) incitando os teens à revolta contra "a música comercial de merda que era impingida pela mídia"... Pseudo-rebeldia adolescente, anyone? Sempre vendeu muito bem. E eu gosto de Offspring, inclusive do Americana, mas gente, tamos falando de uma banda que nessa altura tava lançando "PRETTY FLY FOR A WHITE GUY" e "WHY DON'T YOU GET A JOB", né?

Papos sobre "autenticidade" e "selling out" de bandas sempre me deixaram bem WTF? Mesmo sendo eu das bandas independentes e talz, hahaha. Bem, basicamente é isso. Sorry for the huge rant!

Ah, e todo o amor do mundo pro pop comercial dos sixties! =D