13.11.10

eu queria entender essa história de viver feliz pra sempre, sabe. não é só um jeito cômodo e simples de enfiar na cabeça das crianças que casais ficam juntos, cara, não é só isso. quer dizer, dizer que alguém foi feliz pra sempre com outro alguém não é exatamente simples, eu diria mais que é simplista. não dá pra dizer de algum jeito que a princesa e o príncipe a partir daquele momento caminharam - juntos - em direção a algum tipo de crescimento espiritual? não é isso que a gente tenta fazer cada vez que se deixa apaixonar? não seria bem mais próximo da realidade já deixar isso meio que exposto nos contos de fada, pra gente não chegar na idade das paixões achando que tudo vai se resolver com aquele beijo encantado?

e o príncipe que corre sérios riscos de vida pra resgatar a princesa que está em algum estado de quase-morte? ela só sai desse estado depois de um beijo, e KABLAM, eles saem juntos instantaneamente. acho que de algum jeito louco e irresponsável acaba sendo uma boa metáfora pra questão toda da morte e da ressurreição. assim, não a morte física, mas isso que acontece o tempo todo: uma ilusão morre, pra que alguma coisa mais profunda e madura tome seu lugar. e normalmente as pessoas chegam nesse momento da paixão e acham que é o fim de tudo, o começo da rotina monótona de um relacionamento, mas não é nada disso, é que uma hora a gente passa a perceber que não dá pra viver de happilly ever after e paixonite. quão real um relacionamento pode ser? é nesse momento que a gente descobre isso, quando a ilusão dá espaço pra realidade e nós percebemos se dá pra levar aquilo adiante - se o amor continua lá quando confrontado com o mundo real - ou se aquilo só dava certo na fantasia.o romance, a paixão, a ilusão, tudo isso tem um propósito, que é fazer a lógica baixar a guarda um pouco, fazer a gente desencanar um pouco da razão pra conseguir se juntar a um outro alguém, pra então amar. se não fosse isso, a ilusão do começo, a gente nunca correria esse risco. não porque amar seja somente ruim ou doloroso, acho que bem pelo contrário; amar é tipo grande. é uma luz gigantesca, o grande bem que todo mundo quer, mas quanto maior a luz, maior a sombra. amor, de verdade, é se deixar cegar pela luz, mas depois deixar os olhos se acostumarem ao que tem na sombra também. aceitar isso é muito mais difícil do que se deixar viver na ilusão.

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