15.1.13

eu tenho lido muito a nicole krauss (se é que pode se chamar de muito ter lido dois livros e estar lendo o terceiro, mas tenho lido muito não porque tenho lido em quantidades absurdas, mas porque tenho LIDO muito, do tipo me jogar totalmente em um livro, tipo imersão mesmo, tipo entrar no universo e não querer mais sair) e é curioso porque algum tempo atrás eu estava muito empolgada com o o jonathan safran foer e queria escrever sobre ele, sobre como eu achava que nos romances dele, mais do que a problemática do judaísmo, mas do que o se encontrar dentro de uma tradição familiar que muitas vezes não tem mais espaço no nosso mundo moderno, muito mais do que tudo isso, eu achava que o grande protagonista do safran foer era a linguagem, a linguagem por si mesma, a dificuldade de transmitir o que se quer transmitir através dela, e o absurdo disso já que ela é nosso único instrumento, isso me pegava assim de um jeito maravilhoso, porque o jeito que ele brinca com a linguagem era uma tradução tão linda e simples desse problema que a linguagem traz; mas de repente eu esqueci tudo isso e agora na nicole krauss a coisa é outra, ela também trabalha com linguagem, mas com os espaços que a linguagem deixa, não sei se consigo explicar. tudo na nicole krauss é mais delicado, e não sei se é a tal da sensibilidade feminina, porque o jonathan é delicado também, mas é uma delicadeza diferente. acho que é diferente você usar a linguagem pra mostrar quanto nela não transmite o que se quer transmitir, ou quanto dela acaba criando mais distância do que proximidade, mas a nicole tá trabalhando quase que o contrário, ela tá trabalhando quanto que os espaços entre a linguagem conseguem transmitir, o quanto a gente se aproxima no silêncio entre as palavras, ou na decisão de deixar alguém ficar em silêncio, ou na capacidade de aceitar o silêncio de alguém, ou na sensitividade de enxergar nos silêncios, nas pausas, mais do que silêncios e pausas, de ler nesses momentos o que a linguagem não pode ou soube conter, e eu acho isso tão bonito e queria que isso não acontecesse só em livros.

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