25.2.13

good people don't drink it

semana passada eu vi o episódio 5 da segunda temporada de girls e escrevi um monte sobre ele e como ele fez eu me sentir, mas eu tava sem internet e guardei pra postar depois e hoje fui ler e apesar de ainda serem reflexões sobre um episódio de girls, tava tudo tão longe de como eu tô me sentindo que agora eu nunca mais vou postar, o que é uma pena, embora o episódio 7 também tenha me dado uma vontadezinha de escrever mas por enquanto eu só queria dizer que no geral assim a segunda temporada de girls tá com um feeling bem mais melancólico que a primeira, e tá sendo um pouco incômodo e acho que por isso a galera não tá curtindo tanto quanto a primeira temporada, mas no fim das contas é bom, ter algo incômodo assim pra assistir, é bom sair da zona de conforto, sei lá.

e no fim eu vim escrever não sobre girls mas sobre como hoje foi um dia difícil, e ontem e o fim de semana inteiro. e eu não quero soar como uma menininha mimada, eu sei que minha vida não é difícil, mas isso não quer dizer que emocionalmente tenha que ser fácil também.

na realidade era pra ser um dia bom, porque eu fiz tantas horas de banco de horas semana passada que hoje eu não tive que trabalhar, e no começo eu fiquei realmente feliz com essa possibilidade, e decidi que ia tomar alguma atitude pra parar de me sentir cada vez mais gorda e mais feia e ia me matricular na academia, porque fora isso meu único compromisso hoje era ir resolver coisas de sindicato do meu trabalho antigo, então o que ia me impedir, sabe? de tentar fazer algo pela minha auto estima depois de um bando de dias horríveis e qual é o problema de eu ir tentar fazer alguma coisa pra me sentir atraente, mesmo que só pra mim mesma, qual é o problema disso, certo?

mas aí de repente eu me vi sozinha em casa sem conseguir controlar meu cérebro e eu preferia mil vezes ter que ter trabalhado doze horas como eu tive que fazer alguns dias semana passada, eu preferia mil vezes isso do que ficar aqui sozinha com meu cérebro pensando no impacto que eu tenho nos outros e em coisas que eu escutei sobre mim e nossa como isso é difícil. como é difícil saber que você pode ter um impacto tão negativo sobre as pessoas e o mundo e a ligação das coisas e como é ruim ter que confrontar isso dentro da sua própria cabeça e não existe outra saída a não ser lidar com isso, quer dizer, não há o que fazer ou como remediar, só aceitar e lidar e remoer isso dentro de você pra sempre.

e eu já ouvi coisas ruins, sobre mim, sobre quem eu posso ser às vezes, mas isso é diferente, quer dizer, alguém te fala "você é muito escrota e estúpida às vezes" ou "você é a pessoa mais fria que eu conheço" ou "você consegue ser muito antipática", você passa a se fiscalizar, a identificar os momentos em que você é escrota e estúpida e fria e antipática desnecessariamente e consegue evitá-los, esse tipo de pequena mudança dá pra fazer. não que seja fácil. não é fácil ter que enxergar algo em você que só quem tá de fora vê, que você mesmo não identifica na sua personalidade, é duro, é complicado, é doído olhar pra dentro e ver que você não é a pessoa que acha que é, é foda achar esses pedacinhos que os outros vêem e tentar controlar, às vezes pode até não funcionar, mas eu tenho tentado, desde o começo, e pode não funcionar na primeira ou segunda vez, mas uma hora eu engato, uma hora dá, e por mais que demore o importante é que eu esteja tentando, né? o importante é estar disposto a se abrir pra si mesmo assim e tentar enxergar o que o outro vê. e eu tento, viu. nas coisas que dá, eu tento.

mas essas são situações em que alguém aponta um traço seu, uma coisa quebradinha em você, que você tem a competência e as ferramentas pra arrumar, pra tentar fazer melhor. mas hoje eu passei o dia inteiro me confrontando com o que eu estraguei em outra pessoa. e não importa quanto você tente se convencer que talvez a responsabilidade não seja toda tua, e não importa que você expresse isso pra pessoa cuja vida você estragou de algum jeito, pequeno ou grande, e não importa que a pessoa compreenda e respeite que ela divide a responsabilidade, ainda assim, como é foda, como é difícil passar o dia inteiro sozinha, ouvindo dentro da sua cabeça a pessoa te dizendo o que você estragou nela, e como não há nada prático na situação, não há nada que eu consiga consertar, quer dizer, eu estraguei, tá estragado; e como é horrível ouvir isso de alguém com quem você queria compartilhar tudo, como é ruim ter essa posição na vida do outro, e como eu queria não ter passado o dia sozinha sem trabalhar só rodando essa noção dentro da minha cabeça sem parar.

e não tem academia nenhuma, no fim das contas, nem regime nenhum, que vá me fazer sentir melhor, ou menos gorda e menos feia, ou menos não atraente e menos horrível e menos uma pessoa ruim que tem efeitos desagrádaveis e feios e ruins sobre outra pessoa.

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