28.2.13

menos peplum mais diversão

hoje eu vou falar de coisa boa!

(mas também vou falar de um assunto bem repetitivo no universo dos blogs lidos por meninas, que é moda e blogs de moda e *street fashion* e tal).

tudo porque uma vez eu vi essa foto aí de baixo e desde então meu sonho-fashion é conseguir andar por aí arrasando numa saia lápis com uma camiseta divertida, mas a questão é que não é fácil achar camisetas divertidas por aí.


















hoje eu comprei uma camiseta do adventure time na sessão infantil da c&a, e a minha sorte é ser uma moça miúda e caber nas roupas da sessão infantil, mas eu acho que falta um certo investimento assim em camisetas divertidas para adultos (e eu não tô falando daquelas camisetas indies-nerds que vende em lojas online de camisetas, tô falando de camisetas divertidas mesmo, do johnny bravo, da vaca e o frango, de desenho animado mesmo, sabe). até pra crianças as opções não são lá totalmente variadas, mas no fim das contas a criança usa o que a mãe comprar e nem liga muito pra roupa - eu pelo menos não dava a mínima bola.

mas uma coisa que eu acho que tem acontecido com a moda, e quando eu digo moda tô falando da moda popularzona mesmo, da moda que vende na renner e na c&a, é que se por um lado a mania do street fashion e dos blogs de looks do dia facilitou muito pra muita gente ter acesso às tendências e fez as lojas brasileiras populares correrem atrás do que as mulheres querem vestir aqui agora, por outro tá tudo tão entojado, tão exageradamente trendy, tão afetado, sabe?

eu tenho a impressão que se antes a tendência era ditada pelos dinossauros da moda e era pouco acessível, os blogs de look criaram essa falsa impressão de quem faz a moda na verdade sou eu, você, a mulher normal, mas aí surgiu um outro tipo de ditadura, que é a ditadura das "it girls", e no fim das contas, as lojas continuam vendendo todas coisas iguais, baseadas agora não nas grandes coleções mas na fama de alguns blogs - que se surgiram com a proposta genial de tirar a moda dos editores da vogue e colocar na mão de quem usa todo dia, passaram a ser um grande comercial de afetação por parte de quem não devia ser afetado. o que era pra ser legal e inspirador pra meninas como eu, que são normais e compram roupa com preço acessível, mas ainda assim gostam de pesquisar e aprender sobre moda, passou a ser um grande desfile de fantasias sob a máscara do street style. e as lojas refletem isso. porque se o meio de pesquisa pras meninas agora são os blogs, as lojas vão vender as coisas que as blogueiras usam. que no fim das contas, acaba sendo sempre meio... igual.

então o que era pra ajudar as mulheres a saírem da mesmice, a irem além das tendências momentâneas, acabou se tornando: mesmice e tendência momentânea. e isso é chato. é tedioso. quem gosta de moda não gosta de tédio, gosta de brincar com as roupas, de ter nas roupas ferramentas pra criar diferentes opções de moda. e eu acho que o trunfo das grandes lojas como a renner e a c&a seria, claro, vender sim as tendências seja lá da onde elas venham, mas também se aproveitar do número de clientes, do volume de vendas e de opções, e ir além disso. se jogar mesmo na coisa do faça você mesmo sua própria moda. então se as blogueiras tão usando estampa de caveira, e agora a mulherada quer comprar estampa de caveira, ok, vende a maldita estampa de caveira, mas vende a mesma blusa sem estampa, em cores variadas ou sei lá. faz a mesma blusa da caveira com uma estampa dos flintstones. e do batman. e de raposa. etc etc. é tão mais ideal e mais certeiro investir numa coleção que tenha uma peça-mote, que vai chamar a atenção, rodeada por uma variedade numerosa de peças mais simples e combináveis. pra que eu, a consumidora, possa criar minha própria pequena coleção, tenha vontade de investir em mais peças soltas que eu não vou querer jogar fora ano que vem quando a caveira virar aquele bagulho que ninguém mais aguenta ver.

e não aconteceu nada disso. o que aconteceu é que eu entro na renner e na c&a e vejo uma repetição infinita e monótona do mesmo conceito, da mesma coisa, e tudo super-produzido, tudo sempre com detalhes e badulaques e exageros - que criariam a diferença, teoricamente, mas em todas as peças não cria diferença, só cria bocejos. que que adianta eu comprar uma camisa que tem um spikezinho na gola, se o shorts também tem spike, o sapato tamém tem spike, a jaqueta também tem spike, a camiseta também tem spike e até o colar e o brinco têm spikes? cadê o charme do detalhezinho diferente e inesperado? esse uso à exaustão de um elemento fashion é o que transforma o bacana em banal. é o que faz a gente ter vontade de ter mais dinheiro e não precisar comprar na c&a ou na renner. e o legal seria fazer quem tem mais dinheiro também querer comprar na c&a e na renner, não afugentar quem não tem tanto dinheiro. né?

eu daria um jeito de usar essas tendências além do que elas são nos blogs. mesmo porque, os blogs nem sequer são mais a expressão pessoal da visão da blogueira, eles passaram a ser um monte de jabá de blogueira usando a marca x ou y pra divulgar, ganhando roupa de graça pra fazer propaganda no blog e perpetuar a venda de tendências repetitivas e monótonas. e por isso eu volto pras camisetas divertidas e pra foto que eu postei lá no começo. por que não criar esse tipo de possibilidade de combinação da tendência com a coisa simples e básica - e barata de confeccionar e vender? se a tendência é o spike, ou a caveira, por que não ensinar que dá pra comprar aquela jaqueta com os spikes no ombro e combinar com aquela peça que tá na sessão básica? se a tendência é aquela saia mais curta na frente e mais comprida atrás (ARGH), por que não dar a mesma possibilidade, a mesma estampa, numa saia simétrica? por que não investir também em peças chave, atemporais, que poderão ser recombinadas com a tendência que vai vir ano que vem?

reparem nisso: não existe mais roupa casual, clássica, simples. nem na hering mais tem roupa básica. e isso não é normal, gente! não é normal querer que as meninas se fantasiem e vistam camadas e camadas de modismo só porque agora é assim nos blogs. não é normal não adaptar as tendências pra realidade de onde se vende a roupa, e não é normal retirar da mulher as possibilidades que a moda oferece na expressão de quem ela é e como ela pode exteriorizar isso.

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