21.8.13

give up education as a bad mistake

aí que tenho falhado miseravelmente numa das coisas que mais gosto nessa vida que é escrever.

todo dia (ou pelo menos toda semana) tenho alguma conversa interessante sobre a qual penso que seria legal escrever, mas por pura preguiça - sim, pre-gui-ça, essa nojentinha - sento aqui e prefiro ficar clicando em links, lendo coisas, vendo fotos bonitinhas, ao invés de trabalhar meus dedinhos e escrever.

por exemplo, faz umas boas semanas tava conversando com meu pai sobre publicidade, que ele acha o máximo, o auge da criatividade posta em prática, e eu acho o ápice da falta de talento da classe média (tipo, mamãe sempre falou que eu era muito criativo, como não sei fazer mais nada, vou fazer publicidade e encher a tv de propagandas lixo lalala) - porque convenhamos, galere, gente criativa de verdade cria arte, música, literatura, moda, gente criativa de verdade não se basta fazendo publicidade. enfim, tive essa conversa, queria escrever sobre isso, mas... blé.

aí outro dia tava conversando sobre beatles e a british invasion e fatores que fizeram os beatles terem tão mais alcance do que bandas que, na época, eram melhores que eles, e aí sobre a evolução das coisas desde então, e sobre o mercado de músicas ruins, e a decisão das pessoas em aceitar o que vem pronto enlatado nas rádios e não em procurar outras coisas, enfim, assunto para escrever até mês que vem, mas.................. nhé.

aí pensei em escrever sobre coisas que tem me inspirado ultimamente, blogs bonitos que achei principalmente, mas acho que a internet tá  meio ~saturada~ de posts inspiracionais com imagens de pinterest e fotos de street fashion, então desencanei.

só queria dizer que esse projeto me inspirou d++++++++, mais do que seria normal, acho que na questão de moda na internet foi uma das coisas mais bonitas, pé-no-chão, e relacionável que vi em um bom tempo (e quando eu digo relacionável quero dizer que são mulheres normais - um pouco mais ricas que eu, pode ser, mas ainda assim normais, de cabelo normal, corpo normal, cachorros normais, etc, e não aquela coisa plástica de "street style blogs" que mostram top models off duty, gente vestida como se fosse um cruzamento do willy wonka com o marylin manson e tal, gente, isso não é street style, pelamor)

e também queria dizer que o fim de 1Q84 do murakami foi extremamente decepcionante. muito frustrante uma trilogia que por dois livros te surpreende com intrigas e fantasia e problemáticas incríveis e criativas que estimulam a imaginação, e aí no terceiro livro de repente fica tudo estagnado por quase dois terços do livro, e de repente os protagonistas se removem de todas as problemáticas e intrigas e fantasias e fim, tá resolvido, agora que os protagonistas se livraram do mundo louco tá tudo bem, mas e o resto??? e todas os outros conflitos e suas consequências, cabou? simples assim? achei quase pior que deus exmachina, porque nem isso teve, foi simplesmente como se toda a história estivesse num quarto da sala, eu me removesse desse quarto para a sala de estar, na sala de estar está tudo tranquilo, fim. GENTE??? ou eu sou burra e não entendi a proposta, o que é uma pena, porque durante os dois primeiros livros 1Q84 tava concorrendo seriamente pela posição do meu livro favorito de fantasia. mas não.

e falando nisso, outra coisa sobre a qual eu ia escrever é a faculdade de letras. quanto mais eu penso mais triste eu fico por ter cursado letras na usp. sério. achei um site com cursos online gratuitos de universidades gringas, e um dos cursos era sobre literatura de fantasia e ficção-científica, e só de ver a lista de livros que seriam discutidos e o videozinho do professor apresentando o curso eu passei a odiar minha vida por ter estudado na usp (não que não tenha sido a melhor oportunidade no sentido de educação brasileira), onde só são estudados cânones literários, alguns dos quais são obsoletos e conservadores, e autores aceitos pela ~academia~, pela qual eu passei a nutrir um desgosto tremendo. sério, não existe uma matéria, um curso, sobre ficção-científica, mal se estuda literatura brasileira contemporânea, a maior chance de alguém de sair um pouco do óbvio é cursar uma habilitação de língua oriental, mas ainda assim, isso não resolve o fato de que nem jorge amado se estuda na letras, porque ele é persona non-grata (recalque define). enfim, nada resume melhor que dizer que a letras basicamente estrangulou meu amor por literatura, que só não morreu totalmente porque eu ainda encontro portos-seguros nas coisas que eles não querem que a gente estude. (isso porque eu nem comecei a falar das aulas em si, que foi outra coisa que me entristeceu quando vi o vídeo-introdução do curso gringo lá; acho que durante a faculdade inteira tive dois ou três professores que pareciam gostar de dar aula, preparavam aulas realmente interessantes sobre seja lá qual fosse a matéria, e realmente faziam os alunos criarem interesse em autores/livros que não eram conhecidos. o resto era sono-sono-sono tédio-tédio-tédio, vou-fazer-o-trabalho-final-sem-nem-ler-o-livro-porque-sei-o-que-o-professor-quer-que-eu-diga-mesmo)

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