27.8.13

it's like that old black hole

aí saiu a música nova do dr dog


e se por um lado tem uns desafinados e umas partes descombinadas que lembram o easy beat e até o toothbrush, por outro é tão........ sabe? essas cenas de montanha russa com filtros de instagram, essas letras da música passando como se essa letra fosse tão complexa que sem a legenda eu não fosse pegar o real meaning, sei lá.

eu sempre achei muito ridículo as pessoas que falavam "ahh eu gostava de tal banda quando ainda era bom, lá pelos idos de *insira aqui um ano que supostamente foi uma boa safra musical*, antes de eles virarem modinha" mas poucas frases expressariam o que eu sinto por dr. dog tão bem quanto essa, haha. tudo bem que o dr dog, pelo menos aqui no brasil, ainda está longe de ser uma febre tipo black keys ou foster the people ou lumineers ou alguma dessas outras bandas indie que estão bombando.

eu lembro de conhecer dr. dog, pelo disco fate, que já tinha sido lançado há um bom ano quando eu comecei a ouvir, e me apaixonar e a partir daí fazer o caminho de volta para o passado até eu ter revirado todos os álbuns do dr dog (que, convenhamos, incluindo eps e coletâneas, não são poucos). e embora fosse uma banda nova, na ativa, a sensação foi de descobrir algum tesouro musical secreto do passado, uma banda que eu tinha que pesquisar pelos caminhos tortuosos da internet pra achar lados b, músicas raras, faixas bônus. era lindo. eu me apaixonei pelas vozes, pela coisa meio amadora que eles pareciam gostar de manter até nas músicas mais bem trabalhadas, pelos barulhinhos que dava pra ouvir por trás dos sons. pelas letras, cara.

eu sabia fazer uma análise psicológica histórica do scott e do toby, simplesmente pela cronologia das músicas que eles compunham. eu conseguia entender no que eles pensavam e o que eles consideravam importante o suficiente pra colocar numa música.

aí eles lançaram o shame shame. minha relação com o shame shame é muito curiosa. ele tem umas duas ou três músicas que eu amo, mas como álbum ele não me parece ser dr dog de verdade. o shame shame foi o começo da tentativa deles de alcançar um público maior, de fazer uma música um pouquinho mais digerível no mundo indie-pop, e eu admiro e compreendo isso, entendo eles quererem ter um alcance maior, fazer seu público e sua visibilidade crescer, acho que tem que fazer isso mesmo. mas ao mesmo tempo, quando você assiste sua banda favorita perder um pouco das características que a fizeram ser sua banda favorita é um momento triste. ainda assim, o shame shame foi o primeiro disco deles que eu "assisti" ser lançado, o shame shame pra mim representa um momento em que o dr dog deixou de ser um mito musical, e virou uma banda que realmente existia agora, no meu tempo, no meu universo, e essa sensação foi incrível também. então o shame shame tem um lugar especial no meu coração, apesar de eu já estar sentindo falta do toby cantando do fundo da alma, do scott fazendo letras bonitas e divertidas, da coisa do low fi que eles tinham nos discos anteriores.

e depois veio o be the void. que é o primeiro disco do dr. dog do qual eu não decorei todas as músicas. eu sei alguns refrões e tá bom assim. nenhuma música me pegou de jeito, nada nesse dr dog mexeu comigo como o dr dog do fate. fiquei com a impressão que cada vez mais eles estão tentando ser bonitinhos, limpinhos, arrumadinhos musicalmente, mais música de cantar junto e menos música de sentir. saca?

uma das minhas maiores frustrações são as letras (os clipes também). você pega  the rabbit, the bat and the reindeer e compara com qualquer uma do be the void e vê que  o scott não tá mais se esforçando muito. compara the beach com lonesome e vê que o toby não tá mais muito afim não. até as músicas de amor tão mais sem graça. não dá pra comparar from com nenhuma do shame shame (que é um disco praticamente inteiro sobre amor).

e os clipes, gente??? a gente tinha animação com os membors da banda fugindo da cadeia, um toby decepado cantando (tão awesome, mas tão awesome, que até o kanye west plagiou!), e isso aqui! e agora eles querem que eu engula estréia de música com hamster correndo na rodinha? montanhas russas vintage? sério, não há amor e credibilidade na banda que me permitam.

o que me surpreende mais que tudo é que eles tem tantas músicas incríveis que nunca foram lançadas oficialmente, que podiam ser hits grandiosos mas ainda iam representar aquele dr dog, aquele de antes, aquele que era incrível, mas não, eles "não revisitam músicas antigas que não foram colocadas em nenhum álbum". então é isso. eu, fã ensandecida, tenho que me contentar com o fato de que eles se contentam em ser cada vez um pouquinho mais medíocres e saber que se algum dia eu for a um show deles (a perspectiva é de que nunca aconteça, but a girl can dream), nunca vou escutar fat dog enquanto algo assim acontece. e eu nem fazia questão da pizza, só queria ter a chance de ouvir fat dog mesmo, porque seriously, isso é melhor que qualquer broken heart sobre o qual eles queiram cantar.






Nenhum comentário: