25.9.13

the all-singing, all-dancing crap of the world

sei lá, gente.

eu tenho tido muitos conflitos internos sobre a minha vida, sobre o que fazer daqui pra frente, quero viver a vida cosmopolita, andar por aí, conhecer mais lugares, e ao mesmo tempo minha vontade é me retirar para um interior isolado numa casa de madeira aconchegante e não ter mais contato com nada que é demais, exagerado, afetado, e todas essas coisas que são paulo nos traz. não tenho perspectivas de poder mudar para o interior da escócia any time soon, então por enquanto me contento com a vida cosmopolita e com a minha decisão de fazer algumas mudanças no jeito que eu administro essa tal de vida cosmopolita. sobre isso eu vou falar outro dia. talvez até mesmo hoje mais tarde. talvez nunca.

mas hoje eu fiquei pensando em todas as contradições de são paulo e em tudo que todo mundo odeia nessa cidade e numa frase que faz algum tempo não-sei-quem postou no facebook, que eu nem sei de quem é originalmente: "a vida é muito curta pra se viver em são paulo". eu sei lá. eu curto são paulo. tenho minhas vontades de fugir daqui pra sempre, ou por alguns anos, mas curto a cidade. tem todos os problemas que toda cidade grande tem, sim. tem carro demais, poluição, gente mal-educada, lugar lotado, sim, tem tudo isso. mas não é uma questão de escolha? se eu quero não ficar presa no trânsito não é só eu ir a pé, de metrô, etc? (eu sei, não é tão simples, tem lugar que é inacessível de metrô, tem lugar que é longe de mais pra ir a pé, eu sei de tudo isso, eu moro na granja viana, uso carro todo dia, mas sempre que é possível, eu tento deixar o carro pra trás e me virar como dá). se eu não quero ficar em fila ou empurra-empurra, não posso simplesmente não ir nos lugares lotados? quer dizer, se eu escolho ir pra moema almoçar num domingo, não posso ficar amaldiçoando todos que tiveram a mesma idéia.

isso tudo porque acabei de ler esse texto aqui. não vou negar que umas horas acenei a cabeça em concordância, porque o cara aponta alguns cenários com os quais é bem difícil não se identificar. mas precisa? ele não falou nada com que a maioria das pessoas que eu conheço não concordem, e pra mim a questão é bem simples: se eu não gosto, eu não vou. quem tá lá, comendo sanduíche caro em bar meia boca lotado quer estar lá e qual é o problema? qual é o problema do carinha comer no restaurante do alex tatala, pagar caro por merda e sair feliz? é inveja porque o tatala tá rico? juro, não entendo. não me afeta em nada, não sou eu que tô pagando, não sou eu que tô comendo. acho muito fácil fazer um texto azedo mas não ter a menor habilidade de fazer melhor. de abrir um restaurante bom de verdade, com comida de qualidade, cobrar um preço competitível e lotar de gente. faz aí, mano, quero ver. equanto isso, alex tatala tá lá de boa, servindo as pessoas que gostam - porque têm o direito, o livre arbítrio, a opção - e sendo feliz.

lembro que algum tempo atrás o boicotasp bombou no facebook. todo mundo elogioando a inicativa, parabenizando os idealizadores, achando tudo *mara*. mas quem realmente boicotou algum dos estabelecimentos que foram postados? não vale se for um lugar que você já não frequentava antes. então qual foi o valor real do site? reclamar ao sete ventos. apontar defeitos, problemas, fazer uma catálogo de lugares problemáticos, caros, ou ruins. *yes!* agora sempre que eu quiser lembrar quais são todos os lugares merda de são paulo, é só entrar no boicotasp! que serviço útil!

eu lembro que logo depois do surgimento do boicotasp, uma amiga postou um site parecido, também colaborativo, para falar sobre os estabelecimentos que valiam a pena visitar. esse não teve muita repercussão. lembro que achei incrível, mas, vejam só, nem lembro o nome agora. (sp honesta, graças a um amigo). não é um catálogo muito mais interessante? um site de referência que dá pra usar na prática? não parece uma inicativa bem melhor?

perde-se tanto tempo criticando tudo que causou algum incomodozinho na gente, acho um desperdício de energia tão grande. a gente tem esse desejo de criticar publicamente tudo que não nos agrada, e more often than not, não percebemos que o fato de um lugar nos desagradar não é motivo pra boicote. e não é necessariamente a opinião geral da nação. na página principal do boicotasp tá uma crítica ao select, porque é caro. é caro mesmo. mas eu gosto do select, acho prático, tem em todo lugar, e eu não vou boicotar. não vejo sentido em boicotar o select porque eles vendem coca-cola por um preço acima do supermercado, ao invés de boicotar a coca-cola, que é uma empresa que causa sérios danos ao meio ambiente, que incentiva o consumismo, que polui nosso planeta, que vende um produto que ninguém nem sabe o que tem dentro mas todo mundo concorda que coisa boa não pode ser, etc etc etc. eu não vou boicotar a coca-cola também. mas existem muito mais motivos para tanto do que pra boicotar o select.

algum tempo atrás tava rolando, também no facebook (sempre ele), um texto sobre os comentários preconceituosos do ceo da abercombrie (seilacomoescreve). foi um tal de raiva generalizada, de uma nação facebookera chocada, de "boicote à abercombrie" vindo de gente que nunca na vida comprou uma camiseta abercrombie (acho que agora acertei?); muito foco em xingar a abercombrie, em linchar a abercombire, em fazer comentários raivosos e éticos sobre as políticas da abercombrie. quando no fim das contas, era uma notícia que não dizia respeito a nenhuma daquelas pessoas. não acho que não se deva lutar contra qualquer preconceito da maneira que for, mas o que eu vi naquele momento foi o reclamar pelo reclamar. até porque quão valiosa era a declaração do ceo da marca, quando aqui no brasil um monte de gente anda de abrercombrie falsificada - gente que não se encaixa nem um pouco no perfil de consumidor que a loja quer - sem nem ligar pro que o presidente da marca pensa? cagando e andando. e isso é muito mais poderoso do que qualquer reclamação online. tá aí, senhor ceo da abercombie, quem usa suas roupas no resto do mundo: durma com essa. engula seu elitismo escroto.

o meu ponto é que não há resultado real quando a gente critica uma marca que nós nem sequer compraríamos. uma marca pela qual nós não fomos enganados, porque nunca a consumimos. o pensamento crítico é necessário sempre, mas eu sinto falta de pensamento crítico que não tenha como alvo empresas (que, sim, são uma merda e não deveriam existir) que criaram seus impérios a partir dessas mesmas atitudes tóxicas.

por que ao invés de criticar todos os reataurantes caros, a gente não foca em dar visibilidade a lugares de são paulo que nós sabemos prestar um serviço de qualidade (pelo preço que nós estivermos dispostos a pagar, barato ou caro), tratar bem os clientes, oferecer algo que nós nos sentimos bem em comprar? por que tanto tempo perdido falando sobre a abrercombrie, uma empresa americana que eu não uso e não quero usar e com a qual, no fim das contas, eu não me importo, ao invés de mencionar marcas brasileiras, que tem preocupação com o cliente, um produto de qualidade, fazem um bom trabalho, respeitam seus empregados? não é melhor fazer uma extensa pesquisa sobre isso do que monopolizar nossa atenção a empresas de merda, caras, preconceituosas e que terceirizam seus funcionários para baratear e burlar leis trabalhísticas? cadê nossa vontade de focar nas empresas que desafiam todos esses conceitos escrotos do mercado e do consumismo? difícil encontrar material, opiniões ou qualquer tipo de pesquisa sobre isso.

Nenhum comentário: