8.10.13

it takes a muscle



por detrás do meu egoismo, da minha tolice, das minhas ações absurdas (pois foram absurdas!) foi se criando um padrão de pensamentos, de idéias, de objetivos para futuros próximos e longínquos, de frutos que eu quereria colher algum dia (tal dia chegaria calmamente, sem alarde mas ao mesmo tempo imprevisível, quando nossos cotovelos se esbarrassem sem querer no metrô e eu reconhecesse em você aquele que eu conheci há tanto tempo e que me envolveu numa rede minuciosa de promessas de uma vida mais tranquila em algum interior distante e silencioso) e pouco a pouco eu me separei de mim mesma e me dispus a esperar o motivo certo, a razão para fazer você ficar; e nessa espera eu me perdi na mobilidade urbana, no tempo que eu dedicava a supermercados, shoppings, faróis vermelhos, estacionamentos, portões eletrônicos, nem percebi que eu destilava minhas esperanças em palavras à toa que se misturavam ao turbilhão do resto da cidade, palavras que nunca alcançariam o ouvinte a que eram destinadas. no dia em que meu cotovelo esbarrou em alguém, eu só afastei meu braço, deixei o instinto da vulnerabilidade paulista tomar a decisão por mim, fui embora sem olhar pra trás, sem sequer lembrar das promessas que eu tinha disposto a guardar pra você; mas acho que aquele cotovelo não era o seu: tenho a impressão de ter te visto num ônibus, muito depois, ou talvez fosse uma sala de aula? nem tudo se perde nos labirintos urbanos, acho, quem deve se encontrar irá, eventualmente, se encontrar.

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