30.11.13

alguns sentimentos são como abelhas.

e eu não os quero dentro de mim.

devem haver histórias sobre a luta interna de uma pessoa tentando se desvencilhar do que ela sente. mas eu só conheço a minha história, só posso contá-la e recontá-la quantas vezes for necessário até que eu consiga me distanciar por completo do que eu sinto. até que o que eu sinto seja apenas uma história que eu contei um dia.

mas por enquanto... por enquanto eu sou só uma carta, e quem aposta nesse jogo vai conseguir pouca coisa: vai pensar que achou alguma solidez nos vôos noturnos que a gente insiste em fazer, às cegas, sem destino certo; mas acho que é assim que funciona: a gente aceita as mãos alheias e depois se pergunta no espelho quem é essa pessoa pra quem eu estou olhando. da onde ela surgiu. quando ela apareceu.

algumas mulheres continuam pra sempre. sem entender por quê. às vezes eu me recuso. eu não serei uma dessas mulheres, eu nasci para mais do que isso, mais do que mãos alheias, mais que queimaduras de sol, mais que eles e nós e todos. às vezes os espíritos de todas nossas mães sussurram pra mim, esse não é o destino de todas as mulheres, esse não é o nosso destino, não pode ser.

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