18.11.13

hoje meus aluninhos de duas turmas (uns 40 mini-adolescentes) se empoleiraram na porta da sala da coordenadora esperando ela sair do telefone pra me reivindicar como professora no semestre que vem. foi a coisa mais linda, quase chorei. eu gosto muito desses alunos e é muito bom essa reciprocidade tão bonitinha e engraçada. além disso, numa das turmas eu consegui passar um pedacinho do filme ponte para terabithia e na cena que a zooey deschannel tá dando aula de música para os alunos, eles disseram que eu parecia com ela. foi lindo também, não porque eu quero parcer com a zooey deschanel (eles nem sabem quem é zooey deschanel e o que ela representa no mundo pop-indie, né) mas porque no filme ela representa essa professora incrível que - em oposição à professora padrão da sala - cria uma certa magia na aula e faz todos os alunos se envolverem daquele jeito que só acontece com professores incríveis em filmes, e o fato de meus alunos verem um pouco disso em mim me deixou muito feliz. a alegria diária que compõe minha felicidade se apresenta pra mim desse jeito, nesses momentinhos que são só meus dentro da escola. por mais que eu conte isso pros outros, ou escreva aqui, é impossível reproduzir a sensação do momento, isso é meu, é minha felicidade, daquelas que eu tenho por mim mesma, que criei num momento só meu dentro da sala de aula. isso é muito incrível, é uma pira pensar nisso. esses momentos de felicidade que se bastam na gente mesmo, que desnecessitam de qualquer coisa além de mim. tô dizendo isso porque eu achei que essa semana ia ser como qualquer semana (nunca é, mas eu sempre começo a semana pensando que vai ser), especialmente porque eu tive momentos tão especiais no fim de semana, e um momento que foi esse mesmo tipo de felicidade, que me fez sentir a mesma coisa, foi eu procurando livros na livraria cultura, foi um momento tão meu, em que eu tava sozinha mas me bastando tão bem, e eu tava recebendo algumas sugestões de livros e essa combinação das sugestões e do momento de procurar por elas foi tão. bom. foi essa mesma felicidade só minha que eu não posso reproduzir por mais que eu tente falar a respeito.

(e esses dois momentos de felicidade espontânea e minha só existiram por causa de outras pessoas - meus alunos num caso, e o autor das sugestões literários no outro - então não tô dizendo que eu criei o momento de felicidade sozinha, o momento foi criado por outros, mas a felicidade quem deixou vir fui eu, os outros não estavam envolvidos, os outros nem compreenderiam a extensão da minha felicidade, quão louco é isso?)

e também tô lendo pela primeira vez um livro egípcio - uma das sugestões que fizeram meu momento solitário na livraria tão feliz - e ele também tá sendo uma boa experiência e acho que boas experiências que ocorrem dentro da nossa própria mente são as melhores felicidades de todas. não que a felicidade compartilhada não seja boa, mas ela é mais delicada, intrincada, e suas consequências e razões não se bastam em si mesmas, e acho que fazia muito tempo que eu não me dava conta de que posso me bastar em mim mesma.

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