13.12.13

ludmila

ludmila não se dava comigo. pelos corredores nos víamos sem nos falarmos, algum impulso injustificável do desprezo ao que não se conhece.

uma vez dei a ludmila um pote de lanolina para sua pele seca, e nós falávamos de amores e tristezas e coisas que eu não entendia por completo, mas ludmila tinha por dentro um tipo de sabedoria que às vezes oarecia um tapa na cara, e às vezes eu queria não ser tão pequena pra ter ludmila dentro dos meus braços inteira, mas quem me carregava era ela, e eu aprendi que uma tarde de cerveja com ela era mais que um bar e uma conversa e uma ressaca na manhã seguinte; eu descobri um pouco de mim com ludmila, e descobri também muito da vida, mesmo que eu continue sem entender a maior parte das coisas.

pra mim, ludmila virou só ludi, e nessa abreviação eu envolvo a breve fração dela que eu consegui apreender, um pouquinho da sabedoria que eu transformei em amor, o pedacinho dela que cabe no meu abraço, o teco da minha vida que eu coloquei nas mãos dela e lá encontrou ressignificação, importância, memória.

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