19.3.14

sobre just kids

(que estou lendo avidamente e com uma certa tristeza, porque peguei emprestado e não posso sublinhar nem fazer anotações, e tenho lido no metrô apenas então também não consigo pegar meu caderninho e escrever minhas impressões, mas a maior tristeza de todas é que por causa desse livro eu tenho tido vontade de escrever e de ter outra vida mas não consigo fazer nenhum dos dois por motivos de: computador quebrado; convenções sociais construídas para que levemos vidas rasas e sem sentido em empregos rasos e sem sentido, oi, gente)

o que mais me impressiona é a facilidade de expressar-se que a patti smith descreve ter com o robert maplethorpe. facilidade de descrever o que sente, ou de se fazer entender também sem necessariamente falar, e de compreender a necessidade, a mágoa, o momento do outro também, e de nessa compreensão dar e receber o espaço necessário e o suporte necessário para a auto-compreensão e consequentemente a compreensão do outro. não deixar a mágoa, a dor ou a idéia de posse falar mais alto do que a necessidade própria e alheia de entender, reinventar ou se afastar do amor - o que eles tem um pelo outro e o que eles tem por eles mesmos.

o que eu quero dizer é que a patti descreve a relação dela com o robert como uma relação tão clara, tão fácil - embora não simples. mas a capacidade dos dois de sacarem o momento do outro e darem mais importância a isso do que a tristeza é incrível. quer dizer, às vezes o outro precisa de algo que não envolve a nós, e isso dói e nós preferiríamos que não fosse assim, mas eles tem um entendimento tão grandioso do que isso acontece, e mostram lidar com isso tão bem, apreciar esses momentos como parte essencial de um relacionamento, e de descobrir a si mesmos.

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