8.4.14

eu tô tentando mesmo superar meus próprios preconceitos, mas minhas aulas de jornalismo na pós estão sendo a maior baboseira pela qual eu tive que passar na vida. pior que as aulas de teoria do texto na letras, pior que ielp. passar 4 horas por semana ouvindo jargões como "o conceito de mídia eletrônica", "o jornalismo cidadão", "web.2", "geração de conteúdo", "fonte confiável" (wtf é fonte confiável anyway e por que essa fixação por ela? a única fonte confiável que eu conheço no mundo é minha vó e, veja bem, ela acredita que tem tanto gay hoje em dia porque na guerra os homens passaram muito tempo juntos e viraram gays, qué dizê), "platafprmas digitais", sério, gente, que porra é essa.

o que eu imagino que seja uma faculdade de jornalismo: quatro anos de gente especialista em nada tentando esquematizar esse nada como se fosse uma ciência que deve ser estudada, só que como não é, é só uma invenção, são quatro anos de vergonha alheia do tipo quando o fantástico faz uma matéria sobre redes sociais. ou seja, só bullshit.

não existe discussão sobre o papel dos jornalistas, a irrelevância com que o jornalismo aborda qualquer assunto (é só ver qualquer coisa que saiu sobre a spfw ou o lollapalooza), a pouca profundidade com a qual os veículos tratam diversos assuntos, a mediocridade com a qual se escreve.... sei lá. os melhores textos que eu tenho lido sobre seja lá o que for - política, sociedade, moda, música, o que for - vem de gente anônima, de apreciadores do assunto, de gente que se interessa e tem uma opinião válida, uma visão que vale a pena ser lida, um olhar sobre o qual vale a pena refletir.

então, enquanto o jornalismo fala sobre os preços baixos da recém aberta forever21, ou sobre as filas no dia da inauguração, ou sobre o impacto das fast fashions na indústria de moda, ou sobre as efemeridades das tendências, ou qualquer outra abordagem óbvia e desgastada, é no tumblr que eu encontro textos sobre a proveniência das roupas da forever21 e como a mão-de-obra semi escrava na ásia impactou a cultura e a sociedade locais e a relação das pessoas com seu próprio espaço de sobrevivência. é num blog de alguma garota opinionada que eu vou ler sobre a censura que envolve o assunto da mão-de-obra na mídia, no próprio ambiente das fábricas, nas famílias de quem trabalha nas fábricas, e como isso se desdobra nos produtos que a gente consome.

enquanto o facebook (o tal do jornalismo cidadão) discute se miley cirus devia ou não rebolar com ursinhos de pelúcia, é nos blogs pessoais que se discute não a sexualização de miley (porque, convenhamos, ela que se vista como quiser e cante sobre o que quiser, ~igualzinho quinem~ ela falou na música), mas a apropriação cultural de produtos visuais e culturais que eram ignorados ou considerados censuráveis quando trazidos por artistas negros, mas que se tornam mainstream, apreciados e copiados quando entregues ao público por miley.

é num texto de blog, não numa matéria jornalística de música, que eu lerei sobre como o esforço da lorde de se desligar das imagens de riqueza e dinheiro na canção royals ignora o fato de que são essas imagens as usadas por artistas que, contra todas as chances, venceram num mundo de sucesso caucasiano, e que quando rappers ou músicos da r&b pop (aqui no brasil os funkeiros) ostentam  correntes e dentes de outro eles não estão enaltecendo a riqueza por ela mesma, mas a riqueza deles num país em que não se espera que eles enriqueçam.

enfim, toda essa prolixidade pra dizer fodasse o jornalismo, ele não me representa.




(e apenas que minha professora de jornalismo disse que se o cinema é a 7a arte, o facebook devia ser considerado a 8a arte. oi?)
(e ela foi falar de normcore e disse "os normdroms". quédizê, uma auto-intitulada jornalista de moda que não sabe o nome da última ~tendência jovem~. mas quer falar sobre mesmo assim.)

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