3.5.14

ontem saí por aí sem meu caderno e a vida me tropeçou e me esbarrou e fez de mim muleta de um rombo maior do que eu posso compreender. entre estranhos me abordando e gente próxima não me enxergando, eu me faço inteira incompreendida e sem salvação - nos intervalos olhos pras minhas mãos pra ter certeza de que não são invisíveis, cheiro meu próprio cabelo, apóio minha cabeça na mesa, no volante, no livro, em qualquer plataforma mais fria do que a minha testa. sentir a mim mesma é o objetivo, e penso o que devia ter sido diferente pra eu não ter crescido tão apática e indiferente. passeio pelas conversas sem me ater em nenhum olhar, sou nua por dentro, não me obrigo a nada que não seja inerente à minha própria aversão ao novo. minhas roupas não me representam mais, minha primeira instância social é o recuo, me perco em caminhos retos e iluminados, onde vejo tanta gente passear com calma e alívio.

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