4.8.14

ólia.

eu sei que não tá fácil pra ninguém, mas tem umas coisas que não dá pra compreender.

quando toda uma sequência de eventos catastróficos ocorre sem pausinha pra relaxar significa o que, galera amante da susan miller? estou aqui pensando que devo ter feito alguma cagada tão ridícula numa vida passada e o ano de 2014 foi o período em que as estrelas se alinharam e eu passei a pagar pelos meus erros anteriores, porque, sem querer ser repetitiva mas, né, já sendo: não. tá. sendo. fácil.

depois de infecções loucas, alergias mutantes, dar um curso intensivo de férias pra uma turma de 5 alunos (você já passaram quatro horas da sua vida todos os dias com as mesmas 5 pessoas durante um mês inteiro? de novo: não é fácil), agora eu fiquei sem carro pois me pararam numa blitz e me acusaram de não pagar o licenciamento do carro desde 2008.

gente?

primeiro que em 2011 isso já tinha acontecido e eu realmente não tinha pago, e aí que que eu fiz? fui lá e paguei, então pelo menos o de 2011 tinha que estar lá no incrível sistema dessa instituição funcional e user-friendly que é o detran, né.

e também ocorreu que desde esse acontecimento traumático de ver a polícia levando meu carro embora e me deixando sozinha de madrugada numa avenida deserta (a polícia, essa adorável instituição humanitária que preza pelo bem de nós cidadãos), eu paguei tudo que devia ser pago do meu carro. todo ano. na data certinha. sem falhar jamais.

quédizê.

se eu não pago os hómi leva meu carro, se eu pago os hómi leva meu carro, que que você quer de mim ó magnânimo governo brasileiro? manda uma cartinha explicando, fazfavô. de preferência com ilustrações.

mas tudo bem, pois eu, pequena mel, sou uma poliana at heart, e pela manhã acordei com o plano infalível: vou ao detran pagar a porra do licenciamento que falta, mesmo se eu jáp aguei antes, pego o documento do carro, busco o carro, fim, história cabô, problema resolvido.

só que eu esqueci que se aventurar nas maravilhosas instituições governamentais é um mergulho sem volta na bizarrice do serviço público brasileiro, e cara. que mergulho. que aventura misteriosa. quantas possibilidades de descobertas.

o detran é assim: você entra, vai no balcão de informações, explica seu problema. a moça do balcão de informações te encaminha para outro balcão, que ninguém sabe exatamente para que serve, mas é pra lá que você vai. você explica seu problema novamente para a moça do novo balcão, que diz que esse problema deve ser resolvido por aquela moça morena, e aponta para uma moça que está no mesmo balcão, mas aparentemente cuida de problemas diferentes, e nesse momento você se pergunta como eles mesmos sabem de que problemas eles tem que cuidar se estão todos no mesmo balcão atendendo pessoas que vem de uma mesma fila, que foram encaminhados para lá pela mesma moça do balcão de informações. aí você explica seu problema pra moça morena, que te ouve sem nem tentar disfarçar a cara de desinteresse e te estende um formulário com algumas coisas assinaladas e diz que você precisa ir para o balcão do andar de cima, que é onde se pagam as coisas que devem ser pagas (meu licenciamento, no caso). no balcão de pagamentos, uma quarta moça te explica que não há nada a ser pago pois o licenciamento já está pago, o que deve ser feito é: você precisa ir no balcão do andar inferior, onde há uma placa LICENCIAMENTO, e pedir pra moça de lá dar baixa no licenciamento que já foi pago. no balcão do licenciamento uma outra moça ouve sua história (que nesse ponto já foi resumida e virou uma versão simplificada e rasa do verdadeiro problema) e te diz que não, não há nada pra dar baixa (seja lá o que isso signifique), pois esse licenciamento pago e sem baixa é do ano anterior e não há nada que ela possa fazer, e que você precisa ir ao poupa tempo da sé pagar o licenciamento desse ano e buscar o documento atualizado do veículo. não, você não pode fazer isso no detran. não importa quantas filas você tente pegar e com quantas moças diferentes você fale, seu destino será o mesmo; o poupa tempo da sé.

no poupa tempo você olha o grande mural explicativo da entrada e vê que problemas de licenciamento e cnh são tratados na seção azul, e pra lá você se encaminha. na entrada da seção azul você encosta no balcão de informações e explica sua história pra moça, uma história que parece até inventada depois de contada tantas vezes pra tantas moças em tantos balcões. a moça do balcão de informações da seção azul te encaminha para outro balcão, onde uma outra moça escuta seu problema e explica que você precisa tentar resolver a situação na seção verde, onde está o balcão que cuida dos problemas relacionados à secretaria da fazenda, que aparentemente é a entidade governamental que cuida dos seus impostos e taxas automobilísticos, e se alguém puder me explicar uma coisa dessas eu agradeceria por deveras. no balcão da seção verde uma moça faz uma pesquisa no computador e diz que você deve ir a outro balcão da seção azul para pagar o licenciamento. sim, você acabou de vir da seção azul. moças do balcão não se interessam por esse tipo de minúcia fútil. de volta à seção azul você encontra um moço (!!!). o moço é a primeira pessoa que por de trás de um balcão sorri pra você (!!!). seu coração fica até quentinho. você repete sua história pelo que parece ser a décima quinta vez, mas você não tava realmente contando. o moço faz uma pesquisa no computador e faz uma piada. uma piada!!! o nome do moço é magno e você faz questão de ter essa informação porque você quer olhar nos olhos dele e dizer "muito obrigada, magno" quando ele finalmente resolve seu problema, estendo uma maquininha cielo e pedindo para você por favor inserir seu cartão de débito para pagar o valor de 259 reais que inclui licenciamento, dpvat e uma multa. você está tão extasiada pelo fim do problema que nem se importa com esse valor monetário louco.

aí suja, cansada, sem ter tomado banho e tendo sobrevivido das 7h às 16h com um pão de queijo e um toddynho, você vai pro trabalho.

e o funcionário magno do poupa tempo viveu feliz para sempre (porque vou te contar, trabalhar num lugar desses e conseguir sorrir e fazer piadas é muito talento de vida)


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