26.1.15

tava curtindo muito um episódio de bob's burgers e percebi que tava mais que na hora de eu aparecer por aqui.

aí teve natal, ano novo, etc, e também teve férias.

não quero ser tipo meio piegas, mas a parte mais interessante de ter férias longas como as que eu tive é que elas se armazenam na minha memória como blocos de aprendizado e mudança. esses períodos no fim do ano são lembranças às quais eu recorro pra enxergar em mim mesma mudanças e aprendizados e até evoluções às vezes, mas essas são as mais difíceis de notar.

das férias do ano passado pra essas, eu aprendi sobre amor, sobre estar sozinha, sobre ser amiga, sobre me apaixonar, sobre expectativas, sobre sociabilidade, sobre me sentir tranquila, sobre saudade. e meu crescimento no decorrer desse ano é notável (se pá só é notável pra mim, mas serve).

mas esse não é um post de lições de começo de ano.

minha vida tem sido um amontoado de pequenos acontecimentos bonitos que se espalham em blocos de grandes acontecimentos desinteressantes. por isso eu tenho escrito menos, acho.

mas das coisas que valeriam a pena ter escrito:

- passei a virada de ano na praia com uma galera legal. há uma foto linda minha no nascer do sol. usei branco no réveillon depois de muitos anos usando cores (não sei, não manjo, mas vai que essa parada de cor realmente tem algum impacto? a gente aceita as superstições que nos convém, né. lembrei agora da minha amiga bel que passou a falar que desejava muita luz pras pessoas, e uma vez tendo dito isso pra mim completou com "é, agora sou dessas que deseja luz, é cafona mas é de coração" e quem seria tonto o suficiente pra não aceitar luz né? eu tô aceitando toda luz que quiserem me mandar, e também tô desejando luz a beça, só é cafona o que não nos conforta. e eu não tô recusando conforto não) ok viajei na maionese, não sei mais do que eu tava falando.

- cabô férias, cabô alegria, cabô tempo livre, arranjei um emprego novo, estou relativamente feliz mas ao mesmo tempo não porque não sei mais se quero dar aula, acho que tô exausta demais pra continuar sendo professora, não sei. além do quê, me incomoda essa postura dentro das escolas, essa ~crença~ ou sei lá, de que tudo que nós fazemos dentro da escola é essencial para o funcionamento da sociedade desde seus níveis mais simples, que nosso trabalho é de suma importância, que tudo que fazemos pode potencialmente mudar o mundo. veje bem, galere, eu como professora realmente enxergo o valor do que fazemos, o poder do que dizemos e etc; mas isso é microscópico. cinquenta porcento das coisas que a gente fala fica boiando no ar, os outros cinquenta porcento grande parte das vezes é só o que aluno precisa pra fazer as provas, os trabalhos, as atividades. é claro que há professores que realmente nos ajudam a moldar uma perspectiva do que somos no mundo, mas são poucos e os alunos que eles atingem também são poucos. os professores esquecem que os alunos tão lá na escola porque eles são obrigados. eles também esquecem que eles aprendem muito mais fora da escola do que dentro, ainda mais com essa loucura de interwebs que os jovens tão usando, né, minha gente, que loucura. os alunos só vão ouvir o que eles quiserem ouvir e só vão se interessar pelo que eles quiserem se interessar e são pouquíssimos de nós professores que traremos algo pra sala que vai ~deixar uma pulga atrás da orelha~, que vai fazer o aluno ~ir mais a fundo~. acho que muita coisa vai ficar mais fácil se a gente aceitar que nosso papel  talvez não seja tão grandioso assim. fundamental, sim, mas grandioso, gente, vamo relaxar aê.

fim


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