13.3.15

da vez que eu tentei fazer aula de natação mas me recusei a entrar na piscina

eu tinha uns seis ou sete anos e vontades infinitas, incontáveis, inumeráveis.

uma dessas vontades era fazer natação, à qual minha mãe prontamente atendeu me matriculando nas aulinhas no clube do qual minha família era sócia.

o que minha mãe não sabia e talvez não saiba até hoje - e acho que ninguém sabe porque eu nunca contei - é que as coisas mais fora da minha zona de conforto são: 1) me enfiar em novos ambientes e 2) começar a aprender do zero algo que eu não sei.

então deu que eu fui toda lindinha com meu maiô de natação e meus chinelinhos coloridos - porque estilo sempre fez parte da minha zona de conforto - e quando cheguei na aula, vi aquela criançada toda já batendo pé na água, movimentando o corpo por aquela superfície líquida, segurando pequenas pranchinhas nas pontas das mãos e: morri MORRI de vergonha. e nunca entrei na piscina.

claro que eu entrei em outras piscinas onde não havia aquela pressão doida de saber nadar ou estar disposto a aprender, e acabei aprendendo a nadar do meu jeito desengonçado e errado, mas o que importa é que eu consigo frequentar piscinas e até a parte rasa do mar sem morrer.

hoje em dia, adulta, esse desconforto em situações novas continua, mas a gente aprende a disfarçar, a gente aprende a imitar pessoas que admiramos (queria admitir agora que quase todas minhas frases de efeito, piadas quebra-gelo, ~witty remarks~ e qualquer outro tipo de início de troca social em grupos desconhecidos são reproduções de coisas que ouvi outras mulheres falando, principalmente minha irmã e minha amiga bel - as meninas mais engraçadas que conheço na vida real -, pessoas da tv e do twitter e garotas que eu conheci momentaneamente e disseram alguma coisa incrível e engraçada e me fizeram pensar "nossa queria ser assim". sabe qual é o melhor jeito de ser que nem alguém? copiar esse alguém, fica a dicona pra vocês).

acontece que imitando as pessoas que eu admiro, eu aprendi aos poucos a ser uma pessoa que eu admiraria. eu aprendi a encontrar conforto nas situações que me deixam mais akward na vida, só que até hoje isso requer esforço.

se eu fosse colocada numa aula de natação hoje em dia, acho que conseguiria lidar com a situação melhor do que a pequena seven-year-old-me, não porque esse tipo de situação passou a fazer parte da minha zona de conforto, mas porque eu aprendi com a ~maturidade~ (risos eternos) a cope with meus desconfortos. also, se me colocassem numa aula de natação hoje eu taria junto com um monte de marmanja que também não aprendeu a nadar na idade certa então a gente ia se auto-apoiar no nosso desconforto conjunto e aí fica tudo bem.

mas eu fico completamente aterrorizada, de um jeito adulto e discreto, é claro, pois aprendi a ser elegante, quando começo um emprego novo, por exemplo. não pelos desafios de seja qual for o cargo que eu estou assumindo, que esses eu entendo e aceito quando topo recomeçar num lugar novo, mas pelo simples fato que eu tô entrando num lugar que todo mundo já sabe como funciona e eu vou ter que pegar tudo from scratch. mais ainda, me assusta muito passar a fazer parte de um grupo que já era um grupo sem mim, me sinto deslocada, me sinto inútil, e grandiosíssimas vezes me sinto burra, mesmo sabendo que eu não sou nem um pouquinho burra, mas minha falta de manejo social no ambiente faz com que eu pareça burra - pelo menos pra mim mesma.

não tô dizendo que os empregos novos são a versão atualizada da aula de natação da minha infância, até porque num emprego eu não posso simplesmente ficar na beiradinha e falar que não quero participar. meu ponto aqui é que meu desconforto são os outros. não minha fé na minha própria capacidade ou inteligência, mas o ficar me comparando com os outros - tipo ficar sentadinha na beira da piscina pensando nossa como todo mundo nada bem.

tô querendo dizer que nossa zona de conforto é um negócio muito restrito e é bem loucão aprender a expandir as fronteiras dessa área que eu vou chamar de ~lar do conforto psicológico~, mas que às vezes se jogar na piscina sem ligar pra habilidade nadadora dos outros faz bem.



(escrevi esse texto por causa do writers club do man repeller. essa semana o tema era zona de conforto e eu resolvi participar)

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