3.3.15

não sei se é o ano de 2015, ou apenas esse período que tá mais ao contrário do que minha camiseta quando eu acordo atrasada pro trabalho, mas fato é que hoje é terça de manhã, dia 3 de março, e desde do dia 1º eu já senti tanta coisa e já mudei de ideia tantas vezes que finalmente aquele trecho de alice que todo mundo colocava no orkut começou a fazer sentido - mas a alice tinha comido cogumelos alucinógenos, eu estou apenas vivendo em sociedade.

'Who are you?' said the Caterpillar.

This was not an encouraging opening for a conversation. Alice replied, rather shyly, 'I — I hardly know, sir, just at present — at least I know who I WAS when I got up this morning, but I think I must have been changed several times since then.'

'What do you mean by that?' said the Caterpillar sternly. 'Explain yourself!'

'I can't explain myself, I'm afraid, sir' said Alice, 'because I'm not myself, you see.'



fato é que domingo eu acordei e entrei direto numa vibe do tipo:






no fim do domingo, eu já tinha escutado discos downers, já tinha decidido não me importar com nada além de minha bela cama, já tinha conflitado na minha própria cabeça os paradoxos todos de se relacionar e me perguntado por que eu me deixei chegar a esse ponto, enfim, todo um típico drama teen da paixão, bem loucurinha; até tentei me convencer que toda a tristeza e o conflito eram coisas desnecessárias e insanas pra uma mulher de 27 anos, mas acho que no fundo a gente nunca sai dos 17 quando se trata de ~gostar~.

além do drama paixonite, tem o drama adulto que se chama: emprego. eis que eu odeio meu emprego há tanto tempo que acho que já tinha me acostumado com a ideia de uma vida infeliz e frustrada - acho que poucas coisas são mais tapa na cara, mais cair na real, do que quando você percebe que aquela sua vontade da juventude de viver diferente, de ser diferente, de ter uma vida interessante e não monótona não passava disso mesmo: vontade da juventude, e agora sua juventude passou e você esta trabalhando o mesmo tipo de trabalho mecânico e rotineiro dos seus pais, com a mesma vida chata e rotineira dos seus pais. e eu não quero ofender meus pais, eles dão duro a beça, eles conquistaram várias coisas, mas fato é que: eu não queria conquistar as mesmas coisas que eles. continuo não querendo, então como raios eu fui parar nessa vida? essa é a maior frustração.

acho que outra frustração é que eu vejo que vários dos meus amigos parecem estar satisfeitos com o caminho profissional escolhido - e o caminho da maioria dessas pessoas foi mais ou menos o mesmo que o meu, virar professora - então não sei se eu fiz alguma coisa errada dentro da profissão, tipo, escolhi a matéria errada pra dar aula, ou a escola errada, ou sei lá, ou se eu simplesmente não sirvo pra coisa mesmo.

fato é que sexta passada (quando ainda era fevereiro) eu fui pro trabalho chorando de tristeza, de desespero, de cansaço, e acho que isso não é vida que se preze.

então hoje eu tenho a opção de pedir demissão, pra amanhã começar uma coisa nova, mas quem disse que eu tenho coragem?

ninguém disse. pois não tenho.

como sempre, não tenho nenhuma conclusão, nem literal, nem estética pra acabar esse texto de um jeito legal, então vou apenas ilustrar o post com a incrível imagem a seguir


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