21.9.15

eu entendi que a próxima vez que decidir fazer um pacto comigo mesma de escrever todo dia devo deixar bem claro que fins de semana não estão inclusos no contrato.

porque, né, não sou obrigada a manter obrigação no sábado e no domingo.

até porque tenho mais o que fazer do que ficar falando sobre nada numa página da interwebs. (quando eu digo que tenho mais o que fazer estou mentindo, mas acredito que imediatamente contar a verdade entre parenteses vai me redimir da salinha do inferno reservada pros mentirosos)

hoje eu ouvi meus aluninhos conversando sobre a vida no almoço. tipo, literalmente sobre a vida. eles estavam listando o caminho de vida pelo qual nós passamos, que segundo eles é o seguinte:

jardim
g1
g2
g3
primeiro ano
segundo ano
terceiro ano
quarto ano
quinto ano
sexto ano
sétimo ano
oitavo ano
nono ano
ensino médio
faculdade
escritório
aposentadoria
morte
cemitério
céu

percebam que até o nono ano a compreensão deles sobre a vida é anual, e a partir do ensino médio a vida acontece em blocos de tempo que representam coisas que eles sabem que existem mas não compreendem completamente. não os culpo, eu mesma não compreendi o conceito de faculdade até realmente entrar em uma, e mesmo assim foi bem aleatório e abstrato pra eu poder explicar realmente o que aconteceu. o mesmo vale pro resto da vida. tipo, escritório? taí um conceito abstrato e bem curioso da fase da vida em que a gente trabalha. eu, por exemplo, não trabalho num escritório, e duvido que meus alunos me enxerguem como atuante desse bloco da existência - eu provavelmente tô vivendo um groundhog day eterno em que nunca saí da escola


 o que é bem ótimo considerando o que viria depois (aposentadoria morte cemitério céu)



em algum lugar entre escritório e aposentadoria as crianças incluíram ter filhos, e em algum lugar entre aposentadoria e morte eles colocaram ter netos, o que gerou uma certa discussão com a diretora da escola, que tentou explicar que ela acreditava que as pessoas tinham netos antes de se aposentar, pois aposentadoria vinha aos 65 anos de idade mais ou menos, e as pessoas tinham netos com 50.

sei lá mas acho que não?

minha mãe tem 55 e meu pai 61 e bom, não há perspectivas de netos tão cedo. inclusive se depender de mim não há perspectivas de netos at all, mas good for them que ainda há esperança na minha irmã.

algumas semanas atrás um desses mesmos aluninhos perguntou se eu tinha filhos e se eu queria ter, e ao ouvir um não exclamou "mas tem que ter filhos!!!!!" "não, não ~tem que ter~, filhos são uma escolha, ninguém é obrigado a ter" "ENTÃO MINHA MÃE NÃO QUIS ME TER????!"

calma, amigo. slow your boat. você não tá nem se esforçando pra ouvir o que eu tô dizendo. (sim, é assim que eu falo com meus aluninhos, e ainda adiciono uma bela palma de mão estendida à frente do meu corpo como quem diz apenas pare pfv)

curiozzy que eles, tão pequenos, achem um absurdo tão grande não querer ter filhos mas aceitem como super normal uma progressão de fases de vida que nem sequer fazem sentido. seriously, escritório aposentadoria morte cemitério céu, wtf amiguinhos, isso é a vida? e vocês não tem vontade de chorar e se enrolar em seus cobertores e nunca mais saírem de lá frente a essa perspectiva?


(não, eu não disse isso pros meus aluninhos, mas queria ter dito pois considero uma indagação muito válida)


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