14.10.15



eu prometi a mim mesma que mesmo não tendo mais que escrever todo dia esse mês eu não ia deixar esse blog ficar jogado às traças, mas a verdade é que pouca coisa tem acontecido. então fico meio presa nesse vórtice da rotina em que nada acontece feijoada, todos os dias são uma repetição uns dos outros, a vida é uma espiral em direção ao nada, o tempo é apenas uma construção social pois nada importa e tudo é sempre a mesma coisa etc



todo dia eu vou ao trabalho com a intenção de juntar historietas dos meus aluninhos e contar aqui, mas eu sou avoada e distraída e nunca lembro de nada (só pra não parecer que eu tenho short-term memory loss, esses dias um aluno do 2º ano disse que a aula de inglês era a preferida dele, comentário que foi recebido com um efusivo high five da minha parte)

outro dia comecei a ler esse texto, sobre a experiência de oscar wilde na prisão e como isso o mudou e mudou sua escrita, e parecia uma texto bem legal - inclusive o tema é mesmo bem legal e me interessou a beça, porém achei a escrita tão.... enfadonha, tão esnobe. o autor se perde em inversões e em parágrafos gigantescos cheios de adjetivos, tudo bem com cara de quem quer se exibir mais do quem quer realmente falar sobre o oscar wilde na prisão. eu consegui ler até um pouco depois da metade, acho, mas cansei rápido. apesar da leitura meio arrastada, o artigo tem alguns trechos de cartas e textos do wilde que são ótimos, e esse aqui em especial me fez parar, pensar, e até tirar um print



é uma colocação bem oscar wilde, mesmo, com todo o cinismo e ceticismo dele, mas achei ao mesmo tempo uma visão tão crua, tão clara: essa ideia do desejo por romantismo versus romantismo for real, e a indiferença que se segue pós a experiência romântica real (que nunca se iguala à expectativa do romantismo), achei muito sã. as pessoas se apegam a lembranças e passados e relacionamentos anteriores e as supostas cicatrizes que ficam, mas eu sempre me senti meio desse jeito oscar wilde de ser: quando a gente olha em perspectiva, todas as experiências de romance passadas são meras ilusões, são fantasias, não são coisas reais que deixam marcas. modernizando - e possivelmente tornando bem superficial o que wilde tava dizendo - não consigo entender a dificuldade de superar experiências românticas passadas que não significam absolutamente nada no presente. a indiferença é  o maior presente das experiências românticas, acho, porque te coloca como expectador do passado, e não como sujeito dele. ao evitar ser um sujeito do passado, é muito mais fácil e mais interessante receber possibilidades de novas experiências futuras - mesmo que elas ainda sejam menos intensas e românticas do que nosso eterno desejo por romantismo.

mas enfim, não quero parecer uma loucona fria e sem coração fã de oscar wilde - mas fato é que o cara era muito bom, né. não é a toa que moz (chuchuzinho) já dizia (as usual, segue uma citação completamente fora de contexto utilizada com exatidão pra que meu argumento seja válido):

a dreaded sunny day
so let's go where we're wanted 
and i'll meet you at the cemetry gates
keats and yeats are on your side
but you lose because wilde is on mine

e já que coloquei a letra, acho esse um momento propício pra colocar, porque não, um vídeo dos smiths; afinal, todos merecem ouvir essa bela canção, um clássico da música pop, numa quarta-feira


aliás, gente, essa letra inteira, hein, que beleza, que maravilha, que talento poético. seriously, morrissey, que fase maravilhosa sua, que inspiração divina, quase um wilde dos nossos tempos, né.

(no momento segurando meus impulsos de 1. colocar a letra inteira da música aquk, 2. colocar todos os vídeos acompanhados das letras de todas as músicas do the queen is dead por motivos de: QUE DISCO, SENHORAS E SENHORES, QUE DISCO)

e já que estamos falando de discos, eu aceito sugestões de coisas legais pra ouvir que eu já não tenha ouvido e pelas quais eu me apaixonarei loucamente, porque acho que meu repertório tem sido o mesmo desde 2009 e eu não quero, aos míseros 28 anos, ter virado aquelas pessoas que se apegam a um número finito de bandas e passa a rejeitar tudo que acontece que não cabe em seu próprio mundinho confortável musical. então se existem leitores desse humilde blog, deixem suas recomendações, conselhos musicais, links de youtube e discografias completas de suas bandas preferidas pra essa pequena menina que tão encarecidamente vos pede. se não existem leitores não tem problema, eu supero e vou procurar eu mesma as coisa tudo da música que tem sido relevantes após 2009 pra me atualizar.

mas também não queria parecer uma pobre coitada que só ouve smiths desde a adolescência e nunca passou pelo tal do ~amadurecimento musical~ que fez todo mundo de repente curtir jazz e nova mpb feita por jovens paulistas, queria deixar registrado aqui que faz algum tempo tinha descoberto essas irmãs e recentemente tive a chance de ouvir novamente e, plmdds, que mulheres maravilhosas, que músicas incríveis, que maravilha MARAVILHA!!! recomendo muitíssimo.


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