25.11.15

como escrever sobre feminismo

eu tenho pensado muito o meu eu politizado, no meu eu feminista e no meu eu escritora. tenho me sentido esvaziada das minhas próprias ideias e crenças, tenho me visto sem argumentos, tenho me visto impossibilitada de expressar as coisas nas quais eu acredito e por que eu acredito nelas, e como resultado tenho preferido simplesmente não escrever sobre elas.

acabei de ler um texto que me tocou de uma maneira que nenhum texto sobre feminismo, sobre o papel da mulher nessa sociedade completamente desvairada e quase feudal em que estamos vivendo, me tocou em meses.

cheguei a algumas conclusões incompletas, e meu cérebro continua pensando no que o meu feminismo representa e o que o feminismo representa pra mim, e como minha vontade de escrever pode ser utilizada para vocalizar todas essas minhas conclusões de maneira que faça sentido, que me represente de maneira verossímel e coerente, ao invés de representar o que minhas amigas, a mídia, as hashtags querem que eu aceite como a minha realidade política.

esse texto que acabei de ler em primeiríssimo lugar me fez perceber quão pouco escritora eu sou. quão impossibilitada de escrever - escrever MESMO, escrever de verdade, escrever com técnica e talento e mensagem - eu estou. eu não sei escrever. eu sei colocar palavras uma depois da outra. eu sei pontuar. eu sei fazer piadinhas e descrições engraçadinhas e me esconder atrás de uma persona escritora que se basta em filmes, discos, em cultura pop. me encantou a maneira como a autora do texto construiu seus pontos de vista através de momentos diferentes do artigo, e de como a atmosfera literária se manteve através dos parágrafos e parágrafos de um texto que não era necessariamente literário.

e me surpreendeu como a autora do texto se provou, com simplicidade, sem esnobismos, uma escritora completa e total enquanto descrevia sobre a dificuldade de ser escritora num mundo em que a literatura é prevalentemente masculina, em um universo literário pautado pelas aprovações e pelos modelos criados por escritores do sexo masculino, por homens.

esse texto me emocionou porque me fez pensar não somente no meu papel como escritora, mas no meu papel como feminista. e em como o fato simples e puramente biológico de alguém ser mulher faz com que a literatura criada seja analisada sob o aspecto do gênero, e não de sua qualidade.

mas acredito que, em 2015, todos saibam que ser uma artista mulher é mais difícil do que ser um artista homem. o que eu nunca havia pensado é que quando o artista é um homem, ele é simplesmente um artista. um escritor. um pintor, um músico. quando a artista é uma mulher, ela é uma mulher. uma mulher que escreve, uma mulher que pinta, uma mulher que faz música.

eu já havia sentido o peso que essa diferença na colocação das palavras tem, mas eu nunca tinha lido de maneira tão clara, eu nunca tinha sido confrontada com um explicação tão assertiva, tão destrinchada, do que realmente significam as palavras que usamos. as palavras que usamos representam valores profundos da nossa sociedade. isso todo mundo também já sabe. o que me incomodava na discussão das palavras que usamos e em como identificamos os gêneros nelas era o simplismo com que as pessoas tratavam a questão.

toda uma história de trocar vogais temáticas de gênero por letras que não representassem gênero nenhum. o facebook  - o meu, pelo menos - se inundou de "elxs" "amigxs" "queridxs" e eu não entendia o propósito da mudança, porque me parecia que o problema da linguagem não era esse. mas eu nunca cosnegui descrever qual era o problema da linguagem, até ler o texto que li hoje.

o problema da linguagem, como colocado no artigo, é quando a wikipedia tira todas as mulheres da lista de escritores americanos e as coloca numa lista separada e, portanto, secundária de escritoras americanas mulheres.

como se por serem mulheres elas não fossem simplesmente escritoras. como se alguém interessado em literatura americana tivesse que ser avisado que certos livros são escritos por mulheres. como se literatura escrita por mulheres fosse de alguma maneira diferente da literatura escrita por homens. o que se conclui, dessa separação, é que literatura escrita por mulheres é interesse de alguns poucos, não dos que se interessam por literatura no geral.

e isso é apenas um exemplo que a autora dá, que aqui, fora de contexto, não parece tão grave nem motivo de amargura - afinal, lembra de quando as mulheres nem sequer eram ensinadas a ler e escrever? nós devíamos é agradecer que elas agora podem escrever livros - e até serem listadas no wikipedia.

a problematização da linguagem, no entanto, é bem clara. e vai muito além de trocar uma letra o ou a por um x. o problema está na estrutura da linguagem, em como nós nos utilizamos de palavras, e em como as palavras representam um acordo coletivo e aceito como normal do que uma mulher, um homem negro, uma mulher negra, um índio representam no nosso esquema social.

nos meus últimos meses de desencontro com meu eu político, feminista e escritor, eu me afastei das diversas fontes do meu conflito. eu parei de ler textos que amigas minhas postavam em suas redes sociais, eu parei de participar ativamente de grupos de whatsapp, eu parei de comentar ou responder a comentários em publicações relacionadas ao tema. eu me afastei, porque eu não sabia qual era minha voz nesse movimento.

talvez eu ainda não saiba.

mas percebi, pouco a pouco, que meu desconforto estava na mesmice das opiniões, na repetição dos argumentos, nos quase caricatos exemplos, na ~miguxização~ das ideias. não conseguia mais aceitar como real, como sério, como relevante, textos que abusavam das palavras-meme do feminismo: ómi, fazer omice, feminazi, e outras tantas com as quais não tenho tanta familiaridade.

comecei a ter a impressão de que estava havendo uma infantilização de um tema que me era tão querido, que me soava tão importante. um tema que, ao ser discutido, me deixava satisfeita, me fazia acreditar que era possível desconstuir certas ideias, foi banalizado de maneira quase absurda. e não digo banalizado porque muita gente começou a discutir, a ter opinião, a querer fazer parte do debate. banalizado porque o debate em si foi esvaziado de sua importância. nós começamos a nos perder em intrigas pessoais, em textos mal escritos (embora sinceros em suas colocações), em repetições banais de opiniões alheias.

eu passei a descreditar no feminismo que me estava sendo vendido.

não porque eu passei a desacreditar nas mulheres, na emancipação de todas elas, na liberação feminina real, na igualdade de direitos. mas porque nada disso era o foco. nada disso estava realmente sendo colocado em pauta, sendo analisado a fundo, sendo discutido.

em sei que as histórias pessoais de cada mulher tem importância tremenda na luta feminista. eu sei que ter a oportunidade e a coragem de expressar suas histórias em público faz das mulheres mais fortes, traz o problema à tona, escancara as dificuldades, as violências em suas diversas formas, mostra o ser mulher de maneira que antes era invisibilizado.

mas uma vez que nós tornamos tudo isso visível, o que fazer?

me parece que essa onda do feminismo se estagnou no tornar visível e não consegue fazer nada com todas essas histórias. sim, chega de fiu fiu. mas e aí? e agora? o que isso significa realmente? quem isso representa? que força isso tem, de verdade, no espectro social? como analisamos a semiótica do fiu fiu, das cantadas de rua, e dos movimentos contra as cantadas de rua, de maneira a entendermos quem somos como mulheres, por que continuamos sendo confrontadas com o resto da sociedade como mulheres e não como pessoas.

não sei. sinto que não consigo fazer minhas indagações claras e aí volto para quão não-escritora eu sou.

em um grupo de whatsapp amigas discutiam maravilhadas alguma hashtag nova que está rolando no facebook e no twitter. novamente, meninas do brasil inteiro estão publicando suas experiências pessoais com machismo e misoginia. minhas amigas diziam que estavam se emocionando com alguns dos depoimentos, várias não estavam conseguindo conter as lágrimas.

novamente, não retiro nem anulo a importância de dividirmos nossas experiências. acredito que nós precisamos, sim, demonstrar de todas as maneiras possíveis as incoerências de um mundo misógino pós revolução sexual. no entanto, penso que o emocionar, o chorar, o causar lágrimas não acrescenta à luta. são depoimentos. são histórias. algumas tristes, algumas absurdas, algumas de superação, algumas de desistência. mas o fator extremamente pessoal delas, embora atente para o fato de que todas nós já passamos por momentos os quais gostaríamos de não ter passado, faz com que elas se acabem nessa única característica: o emocionar.

e o que eu vou falar pode soar estranho, mas o emocionar do feminismo é puramente quantitativo. ele mostra números, quantidades de mulheres sofrendo com o machismo e quantidades de homens se escondendo no privilégio de ser homem. mas qualitativamente, pouca evolução acontece. a evolução qualitativa acontece quando conseguimos não apenas descrever as diversas maneiras nas quais o machismo se traduz, mas para além da descrição somos capazes de analisar o discurso da mensagem.

eu tenho visto muita descrição e pouca análise de discurso, e é isso que tem me incomodado.

porque a estratégia descritiva serve, sim, pra esvaziar o discurso. é a estratégia dos livros best sellers. é a estratégia máxima hollywoodiana. é o esvaziamento completo dos significados, e a adoração ao significante puro.

isso não me satisfaz, nem como feminista, nem como escritora, nem como leitora, nem como mente humana capaz de análises complexas.

voltando ao texto que li hoje, uma das coisas que mais me maravilhou foi a capacidade da escritora de contar sua própria história pessoal - ou seja, descrever um acontecimento seu, de sua própria experiência com os mecanismos do patriarcado - mas nunca apelando para o emocional, para a lembrança amarga, para o causar lágrimas. ela mesma diz que a situação que ela descreve serviu como um encontro formativo. algo que a ajudou a entender porque ela escreveu os livros que escreveu da maneira que escreveu, porque ela agiu da maneira que agiu tanto durante o episódio descrito quanto antes, na adolescência, na juventude, na vida adulta, por que ela leu os livros que leu da maneira que leu, e por que ela escolheu tais e tais autores como exemplos a serem seguidos do que é literatura.

o mais importante, ela compreendeu pra quem ela estava escrevendo seus livros, em direção a que tipo de pessoa, e por que ela havia tomado a decisão - ainda que inconsciente - de escrever como um homem.

isso é um depoimento que me interessa. que me faz crescer como mulher, como feminista, como leitora.

é claro que nem toda mulher tem o talento, a técnica e a capacidade de escrever como a autora desse texto. não estou pedindo isso de mulher alguma, muito menos das tantas e tantas que tem coragem, força e afastamento o suficiente para exporem na internet as coisas pelas quais passaram - algumas apenas absurdas, outras completamente devastadoras. sei que essa coragem coletiva é uma das alavancas do feminismo, pois é essa coragem que nos foi roubada durante tanto tempo, é essa voz que nos foi calada.

o que eu não sei é qual é o próximo passo.

o que eu não sei é o que essa coragem vai significar na mudança real, na discussão real, na análise real dos alicerces sociais sobre os quais fomos todos criados.

porque não importa quantos depoimentos eu leio, quantas hashtags são criadas, nós ainda não conseguimos ultrapassar uma argumentação simplória porém amplamente utilizada: o podia ser pior. o em alguns lugares é muito pior. o você está reclamando de barriga cheia.

sim, algumas de nós estamos reclamando de barriga cheia. eu posso ser uma delas. a autora desse texto inclusive afirma, de maneira muito mais literária e bem colocada, que ela também é uma das que sofreu até pouco. aliás, alguns diriam que o termo sofrer nem poderia ser usado aqui.

mas o que eu quero dizer, que é o que eu tirei pra mim desse artigo maravilhoso, é que, sim, muitas mulheres estão em situações piores, mas cabe a nós, mulheres que estão em situações relativamente confortáveis, utilizar esse privilégio pra destrinchar o discurso misógino. pra encontrar nas análises de discurso das pessoas com quem convivemos, os elementos que permitem que o machismo continue matando, escravizando, diminuindo e invisibilizando as mulheres nas suas diversas áreas de convívio social: desde a mulher que está apanhando do marido sem ter coragem ou meios pra sair de casa até a mulher que antes de ser escritora de literatura é uma mulher que escreve. todas elas representam versões da mulher invisível que só se tornou visível quando começou a falar e a nomear sua posição de inferioridade social. todas elas representam uma categoria social que deve, que precisa, e que vai ser descategorizada e passar a pertencer ao todo.

nós não seremos mais mulheres que fazem algo, ou mulheres que contam algo, ou mulheres que ganharam algum prêmio.

nós estaremos acima das categorizações, das divisões sociais, de uma espécia de ser social que apesar de ser o que é consegue às vezes se exceder nas artes, ou nas ciências, ou nos video games, ou em qualquer esfera de atividade em que ser uma mulher bem sucedida é sinônimo de ser a exceção, de ser mulher antes de ser o que quer que queiramos ser.



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o texto que eu li foi "on pandering how to write like a man", da claire vaye watkins, e eu não o linkei e não fiz citações diretas porque senti que precisava conseguir expressar tudo o que estava sentindo e pensando sem ajuda externa. imagino que esse texto esteja sendo bastante comentado e discutido, porque a página saiu do ar, mas a versão em cachê dele está aqui. esse ensaio me tocou quase tão profundamente quanto o ted talk da chimamanda ngozi "we should all be feminists", no qual a estratégia é bem parecida com a da claire: a descrição de histórias pessoais que refletem o machismo tão subestimado com o qual convivemos todo dia, mas a análise de discurso dessas próprias histórias, de maneira que resulta numa reflexão que vai muito além do emocionar através de anedotas descritivas.

por motivos de eu faço o que eu quero porque o blog é meu, vou deixar aqui alguns trechos do ensaio da claire que me fizeram pensar em tudo isso que eu escrevi (talvez vocês reparem que meu final ~conversa~ com o final da claire, o que é um eufemismo de crítica literária pra dizer que eu basicamente a copiei), e também o vídeo da chimamanda porque ele é maravilhoso demais e eu quero que ele ilustre meu blog.



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It was really a great time, though I can’t put my finger on exactly why. It might have been the ride from the airport with Kyle Miner [sic] who’s living the post MFA life with a book of stories out, a couple of kids, teaching classes up in Toledo, finishing what sounds like a fantastic novel and contemplating law school. Or it might have been Claire, the student I stayed with. Or the walk for donuts at 10:30 on a Wednesday night, which felt late in that town, especially on the strip.
I tried to get in Claire’s bed. It was a big, comfortable bed. She said no, how would she explain it to the boy she was getting to know. I said there was nothing to explain to the boy, nothing’s going to happen. It’s like sleeping with your gay friend. But she wasn’t so sure. She had been drinking and I don’t drink. I slept on the air mattress in the other room.

I scrolled up and down, reading and rereading, and through that glass-bottom boat saw a world where Kyle Minor was Kyle Minor, a writer “with a book of stories out, a couple of kids, teaching classes up in Toledo, finishing what sounds like a fantastic novel and contemplating law school.” Whereas I was Claire, no last name, “the student,” owner of a big, comfortable bed. Until my friend forwarded that e-mail to me, I’d been under the impression that since I wrote, I was a writer, period. If I wrote bad I was a bad writer, if I wrote good I was a good writer. Simple as that. I was, I knew, every bit as ambitious as Kyle Minor and Stephen Elliott. I loved books just as much as Kyle and Stephen did, read as much as they did, and worked just as hard to get the right words in the right order. But now I was confronted with Google Groups listserv proof that, to Stephen, Kyle was a writer and I was a drunk girl.
But fuck ’em, right? What did Tina Fey say about sexists in the workplace: over, under, and through. The problem with responding to sexism with Sesame Street is that if you read that e-mail as I read that e-mail, as I was being trained to read—that is, carefully and curiously, over and over—you’ll see something more than the story Stephen told himself about me as a writer or, in this case, not a writer. I saw, in the form of paragraphs and sentences, my area of expertise, how it took only a few lines to go from professional dismissal to sexual entitlement to being treated as property to gaslighting.
Now, I don’t know about you, but I tend to think professional sexism via artistic infantilization is a bummer, frustrating, disappointing, but distinct and apart from those violent expressions of misogyny widely agreed upon as horrific: domestic violence, sex slavery, rape. Stephen Elliott did not rape me, did not attempt to rape me. I am not anywhere close to implying that he did. I am saying a sexist negation, a refusal to acknowledge a female writer as a writer, as a peer, as a person, is of a piece with sexual entitlement. No, more than of a piece, it is practically a prerequisite. Humans are wide, open vessels, capable of almost anything—if you read you know this—but you cannot beat the mother of your children, or rape your childhood friend while she’s unconscious, or walk up to a sorority outside Santa Barbara and start shooting without first convincing yourself and allowing our culture to convince you that those women are less than human.
(...)
Here, Stephen Elliot handily provides a clear illustration of an idea most recently proposed by Rebecca Solnit in her important essay collection Men Explain Things to Me: these things exist on a continuum. Sexist dismissal of women as artists and the assumption of sexual entitlement over them that is necessary to make something like rape okay in our culture—and it very much is okay in our culture—are not separated by vast chasms of principles. Look here, they are two paragraphs of the same story, separated by only a keystroke.
When I said, I’m a writer, Stephen heard, I’m a girl. And, because I was a girl, when I said, No, you cannot sleep in my bed, he heard someone who “wasn’t so sure.” I continued, in his mind, to be unsure, and only the man I was dating—in Stephen’s infantilizing phrase “the boy she was getting to know”—could be sure for me. The story Stephen told himself went: “She had been drinking and I don’t drink.” Because I was not a writer, not a person, I was easily made into a drunk girl unable to tell her own story.
Speaking of things that are invisible: picture me in New Mexico, where I’ve come to teach for a week. Marijuana’s just been legalized in Colorado and a friend from there gifts me a joint. I approach another writer, this one down from Alaska, who is standing alone beside the glowing hotel pool. I make small talk:
I say, So, how long have you lived in Alaska?
She says, Well, I’m an Eskimo, so . . .
I ask if she wants to share the joint. She looks circumspect, which is puzzling to me. I’ve heard her mention Mary Jane before and I’m pretty sure we’re of the same mind about it.
(...)
Okay, she says finally, lighting up. But if they call the cops you better hide me under your invisible cloak of white privilege.
At moments like this, when my whiteness materializes in front of me and I can see it, I am so embarrassed of it and also so angry at myself for not being always as aware of it as I am there in that awkward, painful, absurd, essential moment. I want to unsee it, make it invisible again, and usually I do, because it feels better. I have that privilege.
Others don’t.
I have watched writers go brown right before my eyes. My husband, half Cuban but made much more so on a job interview, is told by a white male scholar specializing in African American literature that his inventing and imagining aspects of Cuba in his novel was “problematic” and that according to this white professor, he got things about Cuba “wrong.”
My best friend, a Basque American, publishes a book set in the Spanish Basque country and Publishers Weekly lauds it “just exotic enough.” My iBooks library categorizes Joshua Cohen as “Literary” and Toni Morrison as “African American.” Think about that for a second: it’s either/or. Meaning, according to iBooks, you cannot be African American and Literary. And it was only two years ago that, over on Wikipedia, American authors whom editors suspected of being in possession of a pussy were removed from the category “American novelists” and relocated to “American women novelists.” These categories—writer or student, writer or girl, woman novelist, Eskimo, Latino, Literary or African American—matter. As Sontag told Mailer, “Words matter, Norman.” They affect the way we live—whether we can smoke a joint beside a hotel pool in New Mexico without fear of being arrested; whether someone will hear no when we say it—and they affect the way we write.
(...)
It was Toni Morrison who pointed out that Tolstoy was not writing for her, who said she was writing toward black women. It makes you wonder, Who am I writing for? Who am I writing toward?
Myself, I have been writing to impress old white men. Countless decisions I’ve made about what to write and how to write it have been in acquiescence to the opinions of the white male literati. Not only acquiescence but a beseeching, approval seeking, people pleasing.
(...)

Some ideas:

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Let’s punch up.
Let us not make people at the margins into scouts or spies for the mainstream. Let us stop asking people to speak for the entire cacophonic segment of humanity that shares their pigmentation, genitalia, or turn-ons.
Let us spend more time in those uncomfortable moments when our privilege is showing. Let us reflect there, let us linger, rather than recoil into the status quo.
Let us continue to count, and talk, and think about the numbers.
Let us name those things that are nameless, as Solnit describes, the way “mansplaining” or “rape culture” or “sexual harassment” were nameless before feminists named them. Let those names sing.
Let us hear the stories we are telling ourselves about ourselves. Let us remember that we become the stories we tell. An illustration: I was talking with the writer Elissa Schappell about how much we are both anticipating Carrie Brownstein’s new book. I asked Elissa what she made of this new trend of memoirs by badass women: Carrie Brownstein, Kim Gordon, Sally Mann, Amy Poehler. Was this trend the result of Patti Smith winning the National Book Award five years ago? Was the trend indicative of a new wave of feminism? Elissa interrupted me. “You keep using that word,” she said. “Trend. It’s not a trend. We are here now. We’re not going anywhere.We are here now.”
Let us embrace a do-it-yourself canon, wherein we each make our own canon filled with what we love to read, what speaks to us and challenges us and opens us up, wherein we can each determine our artistic lineages for ourselves, with curiosity and vigor, rather than trying to shoehorn ourselves into a canon ready made and gifted us by some white fucks at Oxford.
(I will start us off by spending no more of my living breath apologizing for the fact that no, actually, even though I write about the American West, Cormac McCarthy is not a major influence of mine.)
Let us use our words and our gazes to make the invisible visible. Let us tell the truth.
Let us, each of us, write things that are uncategorizable, rather than something that panders to and condones and codifies those categories.
Let us burn this motherfucking system to the ground and build something better.


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