2.11.15

you might not think that i care but you don't know what i know

eu tinha tarefas básicas pra fazer hoje, mas completamente sem querer entrei no vórtice da limpeza e da arrumação e passei o dia inteiro nele revirando caixas jogando fora papéis, cartas, ingressos, limpando necessaire organizando sacola de doação e bom, o dia acabou e eu já estou atrasada com responsabilidades de amanhã.

enquanto isso acontecia eu fiquei ouvindo esse disco da laura marling


que eu nunca tinha ouvido! e gente que coisa maravilhosa. a laura marling amadurece de um jeito maravilhoso a cada disco novo, ela parece sempre cada vez mais em contato consigo mesma, com seu centro mais puro. acho lindo ver essa progressão dos discos, cada vez um pouco mais ~alternativo~, cada vez uma leitura mais aprofundada do folk. ela parece cada vez mais segura pra se afastar dos temas comuns do folk, como amor e heart break, e tratar de tópicos muito mais profundos. menos a ideia da relação romântica entre um homem e uma mulher e mais falar sobre as relações no geral, de nós frente ao mundo e aos outros todos e muito uma análise dela mesma, de quem ela é em contraposição ao que é externo a ela. junto com essa mudança temática me parece que vem uma mudança na própria ideia do que é o folk, de como esse "som" tem que ser. enfim, amo laurinha, jamais me frustro.

e curioso que enquanto limpando meu quarto achei um texto de quando eu tinha 16 anos, e depois de combater a ideia absurda de postá-lo aqui, decidi que vou só comentar que: como eu mudei pouco e ao mesmo tempo que pessoa completamente diferente eu sou agora. sério gente, muito esquisito ler. mas legal também, eu era uma adolescente tão em contato com meu próprio centro, eu já sabia basicamente que tipo de pessoa eu era e de que aspectos externos eu me apropriava e quais eu descartava. não lembrava de já "me saber" tão bem assim, hoje em dia eu não saberia escrever um texto me posicionando como ~eu~ com tanta desenvoltura, acho. nesse sentido, minha progressão foi contrária à da laura marling.

talvez, semelhante à laurinha, é que eu tenho me sentido mais e mais distante de conceitos de relacionamentos interpessoais que são romantizados demais, não necessariamente no sentido de ~romance amor paixão etc~ mas no sentido de retratar nossas relações de jeitos sentimentais demais, não sei direito. tenho me identificado cada vez menos com esses tipos de retrato, com poços de romantismo e sentimentalismo, e cada vez mais com o retrato que a laura marling faz nesse disco, de relações muito mais profundas que só o amor das músicas dos beatles e das comédias românticas; relações aprofundadas que existem além da conexão sentimentalista e dramática romântica, relações de troca real, de calma, de aproximação real e de amor tranquilo (isso tudo tanto pra relações românticas quanto amizades), enfim, relacionamentos que adicionam à sua bagagem emocional aprendizado e mudança interna positiva e relevante.

às vezes eu olho pra mim mesma e acho que tô amadurecendo???? aí passa um episódio novo de regular show e rola todo um retrocesso, o que eu posso fazer




(não sei vocês mas eu amo homus)



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