15.1.16

a emocionante rota das emoções - parte 2: a viagem




fomos pra rota das emoções de mala e cuia e pacote fechado, algo que eu não achei que seria necessário primeiro porque eu sou do tipo take it as it comes e não do tipo que viaja organizadamente, segundo porque alguns anos atrás fui com amigos pra chapada diamantina e fomos completamente no improviso, sem nada planejado e nem sequer lugar pra dormir reservado, e deu tudo certo.

é claro que as proporções da rota das emoções eram algo que eu não imaginava - mesmo sabendo que a gente ia passar por três estados. no fim das contas, acho que o pacote foi a melhor decisão mesmo, porque já tínhamos todas as pousadas reservadas - em alguns lugares estava tudo bem cheio, como em barreirinhas e especialmente em jericoacoara, e nós teríamos nos dado bem mal caso não tivéssemos nos planejado, e também porque os transportes entre um lugar e outro também já estavam combinados e arranjados - a maioria desses transportes deve ser feito por guias locais, tanto porque os trajetos são dentro de parques nacionais nos quais não se locomove sem guias quanto porque parte da locomoção entre as cidades se dá não por estradas mas sim por dunas e dunas e dunas de areia, e eu imagino que é impossível saber pra onde você tá indo no meio do deserto sem alguém que já saiba pra onde ir. é claro que é possível, sem o pacote, contratar o guia e o carro na hora e fazer algo mais customizado do que o pacote pronto, mas cada uma dessas locomoções é cara e no fim das contas acredito que economizamos já indo com tudo pronto - fora que os próprios pacotes que as empresas de turismo oferecem já são extremamente customizáveis; dá pra trocar passeios uns pelos outros e a ordem das coisas com facilidade.

achei isso incrível e maravilhoso: as possibilidades de passeios e a facilidade de montar seu próprio esquema mesmo comprando um pacote completo: as agências de turismo da rota das emoções estão de parabéns. muita organização, muita cooperação entre as diversas agências, a coisa toda muito bem estruturada, tudo sempre pontual e todos os lugares lindos e eu digo tudo isso porque não imaginava, mesmo, uma estrutura turística que precisa levar os visitantes a lugares em três estados diferentes e tudo funcionando perfeitamente, like clockwork, sem stress, sem coisa dando errado, sem aquela sensação de ~barca furada~ que às vezes tive fechando pacotes de viagem.

chegamos em são luis de avião, onde passamos a noite. na manhã seguinte fomos de van até barreirinhas, que é a cidade por onde se entra nos lençóis maranhenses. a viagem de são luis a barreirinhas durou umas três horas. fizemos check in na pousada a almoçamos, e depois uma jardineira foi nos buscar pra nos levar pros lençóis.

de jardineira atravessamos esse lago numa balsa


e aí fizemos um longo caminho por estradas de areia nada confortáveis - na jardineira que também não é o meio de transporte mais cômodo - o que me rendeu uma boa dor nas costas no dia seguinte. uma hora de estrada depois estávamos nas dunas dos lençóis maranhenses, e, gente, é muita areia. é areia pra caralho, é areia que não acaba mais, é tanta areia que nem dá pra ter noção nas fotos então eu escolhi as fotos em que o lago também aparecia.



chegamos antes da maioria dos turistas e as dunas estavam bem vazias. conforme a tarde foi passando mais e mais jardineiras chegavam, e na hora do pôr-do-sol tinha bastante gente lá, se esforçando como eu pra conseguir subir as dunas e tentar apreciar a vista do sol se pondo - vocês não imaginam como arde as coxas subir essas dunas, não é fácil não, não é mole, não é brinks.



pensem que é um território de areia e dunas do tamanho de são paulo, gente, eu não consigo nem imaginar tanta areia, era areia até perder de vista e se aqui é assim só imaginem o saara, tentem conceber a quantidade de areia num deserto do tamanho do saara se nem a areia do maranhão eu consigo compreender. é tanta areia, gente, que eu comecei a me sentir tipo


toda uma identificação com a rey, assim, toda uma força surgindo dentro de mim com toda essa areia, mas também tudo tão bonito, e também tanta água junto com toda a areia



no começo da noite voltamos e o caminho de volta na jardineira pareceu muito mais chacoalhante e desconfortável do que o de ida, por algum motivo. also, o motorista da nossa jardineira tava apostando corrida com outro motorista? talk about safety. como voltamos ao mesmo tempo que todos os outros turistas, havia fila na balsa e eu desci da jardineira e olhei as lojinhas da beira do lago. comprei um pacote gigantesco de castanhas de caju divinas, DIVINAS AMIGOS por 10 reais e uma tornozeleira com um búzio que perdi no mesmo dia pois aparentemente não sei dar nó direito. também tirei foto desse recado que estava em uma parede logo atrás de um tronco de árvore:


gosto desse uso de aspas aleatório, curto d+, tive que registrar.

barreirinhas é uma cidade pequenininha que fica na beira do rio preguiças, e jantamos num restaurante olhando o rio e eu curti muito a atmosfera dessa cidade, gostei do rio bem ali lindo e disponível e limpo, gostei da avenida beira rio e da tranquilidade e também das pessoas que moram lá colocando suas cadeiras na calçada a noite e também assistindo televisão com as portas abertas, pelas quais eu conseguia ver as redes amarradas nas salas e todo mundo tão de boa, tão relax, me deu até um aperto no coração.

no dia seguinte pegamos um barco e fomos dar um rolê pelo rio preguiças




a primeira parada foi em vassouras, onde vimos esses macacos pregos que ficam lá sendo alimentados com bananas pelos humanos babões




e que também são uns ladrõezinhos sem vergonha e nada selvagens - esse aí de baixo roubou um chocolate laka e tava tentando abrir o pacote 


em vassouras também dei um relax nessas redes que ficam penduradas embaixo de uma choupana, apenas a coisa mais maravilhosa do mundo e eu quis seriamente morar nessas redes



e também vimos muita areia, areia pra caralho, areia areia areia. essa região é chamada de pequenos lençóis, porque é cheio de dunas e de areia assim como os lençóis maranhenses. como eu disse antes, é areia até não dar mais
  




aí fomos embora de vassouras




e chegamos nesse outro lugar que não lembro como chama, mas que era um vilarejo muito fofo, com cãezinhos nadadores e árvores deitadas e a grande atração, que é o farol cujos 160 degraus eu subi, mas as fotos que eu tirei lá em cima não ficaram assim super bonitas de olhar. 



esse cãozinho nadador conquistou meu coração






o farol e uma das fotos que eu tirei lá de cima, só pra provar que eu subi mesmo, porque bonita assim a foto não tá, né


daí fomos pra última parada, uma duna onde de um lado era rio


e do outro lado era mar!!!!!???? cada coisa que a gente vê nessa vida, né, esse brasilzão de meu deus não deixa de surpreender


almoçamos aí e depois ficamos dando um chillax nas redes embaixo das choupanas, que eu passei a considerar meu segundo lar


e na volta nosso barco parou de funcionar e tivemos que ser rebocados



essa foi nossa estada em barreirinhas, e no maranhão como um todo. no dia seguinte juntamos nossa trouxinha e partimos em direção ao piauí, três horas de viagem das quais uma hora e pouco foi por areias, areias, areias, toda uma desestabilidade no banco de trás da hilux que estava nos levando que uma hora achei que tava até ficando meio enjoada e começando a ver coisas também, porque é tanta areia e uma viagem tão balançante que eu já tava me achando tipo


chegamos em parnaíba e fomo fazer o famoso passeio do delta do parnaíba, que acho que foi minha parte favorita da viagem. não vimos animais loucões tipo jacarés e cobras porque a maré estava muito cheia, mas foi maravilhoso do mesmo jeito. vi iguanas gigantescas, macacos prego bem mais selvagens e menos trombadinhas que os de vassouras, dunas incríveis, pedacinhos do rio que eram apertadinhos e completamente silenciosos, caranguejos vermelhos do mangue, enfim, todo um leque de experiências inesquecíveis

minha habilidade fotográfica é incrível, como vocês devem ter notado, então fica o desafio pra vocês acharem a iguana nessa foto




 esse lamaçal de mangue tava cheio de caranguejos, mas é claro que com meu talento magnífico para tirar fotos eu consegui fotografar, isso mesmo, unzinho. o segundo desafio do dia é achar o caranguejo na foto. ele é vermelho, então tá mais fácil que a iguana


ao longo do rio parnaíba fomos parando em vários lugares que tinham, claro, muita areia, inclusive um lugar incrível que se chegava por um pedacinho do rio super fechado, então por causa do acesso mais difícil era desertíssimo e de um lado da duna, por onde nós chegamos, estava o rio. ao subir a duna (coxas queimando novamente, não sei como não voltei dessa viagem com as pernas saradas e gostosas), o mar tava ali, do outro lado!!! foi incrpivel porque, diferente do lugar em barreirinhas em que dava pra ver o rio e o mar, você só conseguia saber da existência de um ou de outro ao subir e descer a duna pelo outro lado. não tirei fotos desse lugar porque deixei tudo no barco, mochila, chinelos, canga, tudo.




na nossa última parada ficamos nadando um pouco no rio, e deixei minha mochila em cima da minha canga e quando voltei, tinha ganhado um novo amiguinho


 nossa estada no piauí foi curta e o delta do parnaíba foi a única coisa que deu tempo de conhecer. no dia seguinte entramos em outra hilux e fizemos o caminho até o ceará, onde ficaríamos em jericoacoara por dois dias.

o caminho entre o piauí e o ceará é lindo e bem menos instável do que o caminho entre o maranhão e o piauí - não tive alucinações de jakoo nem achei que estava virando uma jedi. o ceará também tem muita areia, mas tem muitas pedras, o que eu achei particularmente lindo.

além das pedras tinha uma árvore loucona que sofreu ação do vento e chama cabelo de bruxa, além dos lugares onde é produzido sal - eu nunca vi tanto sal na minha vida, gente.







no caminho para jericoacoara passeamos pelos arredores de tatajuba, que tem alguns pontos turísticos incríveis. pegamos uma balsa, passeamos por tatajuba, onde paramos em outra duna (AREIA AREIA AREIA AREIA desaprendi todas as palavras e só sobrou essa no meu vocabulário), consegui tirar fotos de alguns jegues selvagens, símbolo do ceará e tão lindinhos e demos um chillax num lago incrível lá nas dunas, onde almoçamos em mesas que ficam DENTRO DA ÁGUA e deitamos em redes que TAMBÉM FICAM DENTRO DA ÁGUA. todo esse tempo eu estava me divertindo d+ pra tirar fotos, então fica o mistério dessa paisagem maravilhosa.






quase chegando no final desse trajeto, vimos essa tartaruga morta D: meio bad postar essa foto, mas ela era tão grande e eu duvido que alguma dia na minha vida eu vou ter um contato tão próximo com uma tartaruga dessas, viva ou morta. que bicho gigante e lindo, gente.


de tatajuba pra jericoacoara pegamos mais uma balsa, que era basicamente uma jangada grande o suficiente pra caber um carro em cima


e chegamos em jericoacoara, a cidade da qual as pessoas mais falam nessa rota doidona, e a cidade na qual eu tirei, isso mesmo, zero fotos, porque gente???? superestimada completamente????

dscp jericoacoara lovers, mas tipo. a cidade é linda, claro, fofa e pequena, mas ela é igual vários outros centrinhos litorâneos cool, ~baladados~, ~transados~ como diz minha tia. parece muito paraty, só que ao invés de paralelepípedos as ruas são de areia (porque, né, só tem areia na região toda), e também parece búzios no sentido de que tem o centrinho da hora com as lojinhas e os restaurantes e aí tem a praia. também me lembrou um pouco ilhabela só que, né, sem os paulistas todos e sua sujeira. se bem que a praia imediatamente adjacente à cidade era bem lotada e suja, e só não parecia o litoral norte de são paulo porque o mar é diferente e, bom, a atmosfera é outra. em compensação, andando um pouco dá pra chegar numa parte mais isolada, uma praia com menos gente e com piscininhas naturais na água onde até deu pra ver uns peixinhos e inclusive um caranguejo com patas azuis!!!!???

não fizemos os passeios turísticos ao redor de jericoacoara porque o dinheiro começa a acabar, né, e a gente não tinha as manhas de descobrir os jeitos baratos de fazer as coisas.

de jericoacoara fomos novamente de hilux em direção ao nosso destino final, guajiru, que é uma praia sem nada nem ninguém, e eu digo isso literalmente. não tinha nada. nem ninguém. e eu amei muito.

no caminho paramos em mais dunas e vimos as famosas estruturas de energia eólica e achei aquilo absurdo e incrível e lindo?????





em guajiru ficamos curtindo o marasmo, e quando eu digo marasmo eu não estou brincando. a rua da nossa pousada era de areia, como todo o resto, e um lado apontava para o mar


e o outro lado apontava para as dunas


also, achei essa vaquinha amigável. nessa rua apareceram outras vacas caminhando sem destino, além de alguns jegues que vieram parar não sei como lá e ficaram xeretando os lixos.


de guajiru fomos a pé até flecheiras, a praia vizinha que tem bem mais estrutura e mais turistas - isso quer dizer que ela tem um pouco de estrutura e turistas, porque em guajiru não tinha basicamente nada. no caminho paramos nas piscinas naturais formadas pelos corais e mergulhamos com snorkel. eu comprei uma câmera descartável à prova d'água especialmente para esse momento, mas ela se perdeu no fundo do mar. considerando que em algum momento da viagem eu também perdi meu pijama, aceitei que as perdas faziam parte do que o karma queria pra mim.



do meu mergulho no coral sobrou só essa fotinho de um bichinho de concha sendo assediado por mim, pequena felícia dos mares


nossa última experiência no nordeste foi um passeio de catamarã no rio mundaú, onde vimos os cataventos gigantes de ângulos ainda mais maravilhosos, eu pisei na lama do mangue e vi o pôr do sol numa das dunas.






depois disso teve a volta pra são paulo, e eu dei graças a deus que moro em cotia, que é o mais na cidade que dá pra estar sem realmente estar na cidade, e aqui ainda tem silêncio e natureza e essa chuva toda e esse céu nublado nem parecem assim tão horrorosos (mas eles são, eu sei que são). mas como eu nunca gosto de deixar o lado ruim das coisas me abater, pelo menos na volta consegui tirar essas fotos do céu, clichêzíssimo, eu sei, mas eu adoro, me desculpem





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