19.1.16

sete odiáveis, um delicinha

e esse um delicinha é o tim roth, chuchuzinho máster em quem eu não paro de pensar desde que ele apareceu em cena no filme novo do tarantino (que devia chamar os oito odiáveis e não os oito odiados, mas tudo bem, um dia quem saiba eu ainda consiga esse emprego dos deuses que é nomear filmes em português). fora o tim roth lindinho eu gostei de algumas coisas no filme, como a vibe teatral num único ambiente, até as técnicas mais de palco de foco em um ou dois personagens enquanto ao fundo outro personagem faz algo que a gente não vê, gostei também da coisa meio reservoir dogs de colegas e inimigos presos no mesmo lugar sem exatamente saber em quem confiar ou não (algo que também tá presente com força naquela cena na taberna em bastardos inglórios, tudo variação de um mesmo tema), a brinks com a narração em off e cada vez que eu vejo um novo filme do tarantino tudo que eu consigo lembrar é:



mas eu fiquei bem chateada, chateadíssima em ver todo um talento, uma ginga, um charme do tim roth delicinha sendo desperdiçado num papel de christopher waltz

porque, tipo

sabe gente, se você escreve um papel pro christopher waltz, igualzinho ao papel dele no seu filme anterior, que por sua vez era uma variação sutil no mesmo papel do mesmo ator no filme anterior a esse, pega e dá esse papel pro christopher waltz



sabe???

não coloca o tim roth delicinha talentoso chuchuzinho geniozinho da atuação............... num papel escrito prum ator menor.



porfa, quentin.

se é pra por o tim roth no filme, escreve um papel digno dele, vai. você já fez isso em reservoir dogs


(inclusive aqui acompanhado de steve buscemi, que está na minha lista de caras mais feios que eu ainda assim pegaria, não me julguem)

e em pulp fiction, for god's sake, sabe, olha as maravilhas que você fez com esse ator


sabe, quentin, 

o cara tava lá assistindo uma macarrônica tragédia bizarra de traição e máfia e riqueza em primeira mão, sentado ali na mesa com essa galera louca




foi o maior pianista da história do mundo ocidental, coisa de lenda italiana, tendo inclusive vencido o inventor do jazz num duelo de piano que, senhor jesusinho, deixa minhas imaginações censuráveis todas animadinhas


e toda uma brinks antes de ele ganhar de vez, todo um senso de humor, e ele nunca sequer desceu desse navio, gente, isso sim é que é lenda, talento, paixão

e depois o cara ainda me virou um detetive bullshit spotter especialista em expressões faciais coroa grisalho charmoso dilf tudo de dom TDB


qué dizê, sabe, gente

é muita maravilhosidade pro tarantino ir lá e desperdiçar, né não? ou será que era algum tipo de aposta, vamos ver se o tim roth consegue ser o christopher waltz melhor do que o próprio christopher waltz, pode ser que sim, gosto de acreditar nisso. 

e mesmo se eu não conseguir acreditar totalmente nessa hipótese, tudo bem, porque tim roth vai estar pra sempre em minhas memórias como o maravilhoso rapaz de regata branca sentado nessa cadeira com um cigarro entre os dedos


um cigarro entre os dedos de tim roth: taí algo que eu gostaria de ser.

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