9.2.16

....and the darkest hour is just before dawn

passei algumas horas dessa madrugada acordada com um frio na barriga como se eu estivesse prestes a passar por uma grande tragédia, pensando apenas em como esse carnaval só deixou ainda mais explícita a minha solidão.

a verdade é essa, quanto mais eu tento participar do mundo, conversar com pessoas, curtir a vida, mais sozinha eu me sinto, mas isolada eu fico; e o engraçado da solidão é que, assim como na não-solidão, há dias bons e dias ruins, mas os ruins são especialmente ruins.

e eu sinto que venho me repetindo sobre essa história da solidão há muitos anos já, sinto que já falei em mil blogs mais de mil vezes: não existe o não ser sozinho. mas existe o se sentir menos sozinho, às vezes, existem períodos em que eu de alguma forma me sinto mais conectada com tudo que existe ao meu redor, não só pessoas, mas também acontecimentos, gostos, tendências, as bandas, os filmes, tudo. e agora eu tô num período em que absolutamente nada me faz sentir conectada, é um isolamento tão grande e tão abstrato que eu não consigo nem sequer expressar.

mas é basicamente isso.

eu

estou

tão

sozinha

e normalmente isso não é ruim, mas ultimamente tem sido, e eu me vejo apelando pras técnicas mais grotescas pra ver se eu me sinto um pouquinho menos sozinha, eu tenho procurado pessoas e sensações que me rodeavam em épocas em que eu talvez não estivesse tão sozinha, eu tenho esperado respostas de gente que não me deve nada, eu tenho ansiado por qualquer contato humano com alguém pra quem eu possa virar e dizer: cara, eu nunca estive tão sozinha na minha vida.

mas como o mundo não se move de acordo com minha solidão ou de acordo com quão confortável eu estou com minha solidão, as pessoas e as sensações e as coisas todas seguem sendo o que devem ser, independente de mim, independente do meu isolamento mental e espiritual, e eu sigo aqui, procurando nas festas do carnaval alguma chance de ser menos solitária, algum momento propício pra estabelecer conexão - com pessoas ou momentos ou memórias; mas eu já sei bem que é tudo inútil, a dor da solidão vem e vai como também vem e vai a satisfação da solidão; tudo vem e vai e nada vem ou vai por minha causa nem por causa de ninguém.

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