29.4.16

abril, e o círculo se dilatava até a náusea

trago notícias do mundo (kinda) real

abril foi o que foi (horrível) mas não posso deixar de dizer que no fim até que melhorou, como diziam os agouros de roberto bolaño em monsieur pain, que me acompanhou pelas primeiras semanas de abril se mostrando profético e adequadíssimo ao meus estado de espírito.

Abril, e o círculo se dilatava até a náusea. Geometria, tudo era geometria e merda.
(...)
Nos dias seguintes minha vida pareceu voltar a seu curso normal. O desespero puro e simples alternado com períodos depressivos, talvez de origem religiosa, já que considerava aquilo uma coisa inevitável, sem em nenhum momento pensar no suicídio, mas aceitando a aflição, estremando-a, voltou a dar o tom a uns dias lúcidos, apesar de tudo tranquilos.
(...)
Assim a partir da segunda-feira 11 de abril minhas atividades se concentraram na sempre balsâmica leitura (...).

A confirmação de uma desgraça que eu pressentia, a ideia de me saber sozinho de uma maneira talvez irremediável, que começava a abrir passagem na minha mente se apresentou no dia 20 de abril (...).

se isso não é uma bela de uma previsão astrológica, não sei o que mais pode ser, gente. (caso vocês não tenham reparado, ele fala de uma segunda-feira dia 11 de abril. esse ano dia 11 de abril foi: isso mesmo, segunda-feira)

pirei tanto no fato de esse livro ser tão ideal pro meu momento que terminei e finalmente tive coragem de começar o 2666. ainda estou desbravando as 60 milhões de páginas, mas tô gostando apesar de ainda não estar vendo onde ele quer chegar. mas até aí li o monsieur pain inteiro e não sei ainda onde ele queria chegar, acho que esse é o estilo bolaño mesmo. aliás, me agrada esse estilo surreal de fazer literatura, não chega a ser o realismo fantástico clássico dos escritores latino-americanos, tem um quê de noir, um quê de sonho; é interessante. na verdade essa fixação do bolaño com sonhos me incomoda um pouco. eu não sou lá ligada em sonhos, e aprendi cedo que quando a gente sonha o bagulho só é interessante pra nós mesmos, então tenho meio preguicinha de gente contando o que sonhou e preguiça ainda maior de ficar lendo sonho de personagem de escritor prolixo, então confesso que às vezes pulo uns parágrafos só pra evitar ficar lendo sobre sonhos mirabolantes.

e pra não dizer que abril não me trouxe presságios, ~OMENS~, digo que estava vendo um episódio de arquivo x que de cara já chamou minha atenção pois



a presença ilustre de jack black sempre me agrada

mas além disso, olha só que curioso diálogo entre mulder e scully





 april IS INDEED the cruelest, dear fox. tell me about it.

fora isso abril foi se aproximando do fim e junto com o mês acabaram os episódios de girls e broad city, e as duas séries terminaram de maneira bem assim heart-breaking (considerando quão heart-breaking pode ser um episódio de broad city, vamos dar as devidas proporções das coisas). mas sinto que tá rolando mesmo esse general feeling de mudança dolorida, acho que as coisas são assim mesmo, a vida que segue, inclusive é o que a ilana diz num momento importante do último episódio.

o fim de abril trouxe junto com constante melhoras o frio, esse frio paulista que a gente tanto ama, com dias secos e ensolarados e aquele ar gelado que parece trazer boas notícias e um jeitinho assim de the times they are a-changing. gosto desse clima de outono, apesar de me auto-proclamar uma summer girl, gosto do clima e do cheiro e também dessa impressão de ciclo que acaba e recomeça, não sei. acho que esse friozinho tá me deixando mais ansiosa pra tempos futuros, pra festas juninas e pra as impossivelmente distantes férias.

mas é isso, abril tá chegando ao fim, foi horrível mas pelo menos sabemos que acaba. talvez maio seja muito pior mas pelo menos não será abril.



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