14.4.16

não vou dizer que tá fácil viver.

pois não tá.

o carregador do meu computador quebrou, e se por um lado tanto faz, eu já nem tenho internet mesmo (acho ótimo quando a gente pede pra ter coisas e eles dão um prazo de 15 dias sem dizer que são 15 dias que valem a partir de um mês depois de você fazer seu pedido, PORQUE SÓ PODE mas tudo bem, viver sem internet tem sido bom), mas a questão é que estando sem celular e considerando que eu não tenho tv, eu tava usando o computador pra ver dvds, rever horas e horas de arquivo x, donnie darko, todas essas coisas que eu já vi umas 60 milhões de vezes mas continuo vendo porque, né, por que não?

então é isso, sem celular, sem internet, sem tv, sem computador, com um vizinha fazendo uma reforma eterna que estragou minha parede (aí é super legal também quando a gente marca com o pintor segunda as 16h e ele simplesmente resolve não aparecer. nem segunda às 16h nem nunca.), e para além dessas coisas default da vida eu tive que lidar com uma mãe que chorou na minha frente na reunião de pais e, gente, eu não sei lidar nem quando alguma amiga chora, nem quando minha família chora, eu simplesmente não sei o que fazer, imagina uma mãe. eu abraço? apoio a mãozinha no ombro e digo "there there"? enxugo as lágrimas do rosto dela? não sei. e aí depois eu tive um date estranhíssimo, e olha, tô achando que preciso aceitar a derrota, assimilar que isso aí de relacionamento não é pra mim, desencanar totalmente (mas será que a gente realmente desencana totalmente de qualquer coisa? acho que não mas seguimos tentando)

enfim, vida que segue. estranha, bizarra, incoerente, mas de alguma maneira segue. quem sou eu pra tentar apontar as falhas de coesão do universo, né.

fora isso sigo aqui lendo roberto bolaño e ana cristina e não sei bem que artimanha do destino coloca nas minhas mãos bem os livros que preciso ler, e imaginem que numa casa sem tv, internet, computador e celular não me sobra muita opção de entretenimento, então passo horas lendo em posições desconfortáveis mas o que importa é deixar o cérebro feliz, porque meu corpo, vish, esse aí já tá prestes a desistir faz tempo.

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