10.4.09

a dor é minha e não vou dividir, e eu não sei mais dividir.

eu sempre tive uma espécie de relação com as pessoas que parecia não atender as expectativas dos outros.
eu não sei que mania é essa de deduzir que tudo o que eu sinto deve ser colocado na roda, discutido, analisado, submetido à solidariedade coletiva e aí devolvido a mim devidamente mastigado, digerido e regurgitado.
eu sou do palpite de o que é meu é meu. eu decido se vou dividir ou não a minha felicidade, a minha tristeza, o meu desespero e até a minha mesa no bar. e também sou eu que decido COM QUEM eu vou dividir.
ninguém nunca me convenceu que prova de amizade é ligar pra contar tudo e convidar pra todo e qualquer programa e saber o que a outra pessoa está pensando e o que ela comeu no jantar de ontem e em que cd tá pensando escutar hoje antes de dormir.
sufoco não tem nada a ver com amizade. já falei isso aqui. e também já falei em mais quinhentos outros blogs meus. meus melhores amigos - mas meus melhores amigos MESMO - são pessoas que não estão todos os dias na minha vida. meu melhor amigo não foi no meu aniversário - e eu não fiquei puta por isso. já pessoas que se consideram minhas melhores amigas teriam dado indiretas em conversas, teriam ligado pra outro suposto melhor amigo e dito você-viu-que-ela-foi-no-bar-ontem-e-não-chamou-a-gente ou até ela-não-foi-na-festa-da-namorada-do-irmão-da-fulana-e-nem-deu-razão. e já desvirtuando totalmente o propósito desse blog: QUE SE FODA a festa não sei de quem na qual eu não fui, ou a vez que eu encontrei não sei quem e não chamei alguém e que se fodam vocês supostos amigos e que se foda se vocês se sentiram ofendidos sei lá eu por quê.
eu não ofendi ninguém.
meu melhor amigo - MEU MELHOR AMIGO eu não vejo há meses. e ele não bancou o ofendido mal-amado por causa disso. nem eu. nós moramos a dez minutos de distância um do outro, nós gostamos das mesmas coisas, nós frequentamos os mesmos lugares. isso não faz com que nós tenhamos necessariamente que nos convidar um ao outro pra sei lá o que queiramos fazer.
eu não ligo pra ele querendo saber porque ele não me contou sobre ter saído do trabalho ou sobre a última menina que ele catou ou sobre ele estar apaixonado ou não.
se ele quiser me contar, ele vai me contar.
ele é meu melhor amigo porque não há cobrança nenhuma, nem da parte dele nem da minha. nossa amizade existe porque sim, não porque nós nos esforçamos pra que ela continue existindo.
no exato momento eu tenho me sentido sufocada por pessoas que se consideram minhas amigas e por isso acham que tem o direito de querer saber tudo o que se passa pela minha cabeça e todos os passos que eu dou. e se sentem ofendidas se eu omito alguma coisa sobre mim. SOBRE MIM. eles sentem que eu tenho a obrigação de dividir o que é MEU com elas, em nome dessa tal amizade que eu nem vejo muito bem.
se eu estou quieta, EU ESTOU QUIETA. muito provavelmente, se eu estou quieta, eu não quero falar sobre porque raios eu estou quieta.
se eu estou amarga, EU ESTOU AMARGA. me deixe com a minha amargura.
e se eu estiver contente, não imagine que eu vou obrigatoriamente dividir minha alegria e os motivos dela com você.
eu nunca fui mesmo muito de dividir. gosto de partilhar, sim, o que eu sinto com meus amigos. mas ser objeto de análise e comentários porque eu pareço estar menos feliz que qualquer outro dia é algo que eu nunca suportei. e partilhar as minhas coisas é algo que eu faço porque eu quero, quando eu quero, com quem eu quero. não preciso me sentir coagida a isso. nem sentir que ofendi alguém porque não quero falar sobre mim mesma.

Nenhum comentário: