24.5.17

assisti a primeira temporada de mr. robot e fiquei extremamente tocada pelo início do episódio 7, em que elliot conhece shayla ao som de the cure. o fim do episódio, em que ele salva tudo que ele hackeou dela como disintegration, partiu meu coração de leve também.

tentei achar a cena no youtube mas ela não existe na íntegra, e o que me tocou foi mesmo o rolê todo, a conversa toda dos dois, primeiro dentro do apartamento e depois na escada do prédio, achei tão lindo o the cure tocando ao fundo, a trilha sonora que depois vira o nome do cd que contém a shayla, achei tão mágico eles se conhecerem assim, e the cure tocando sem parar no background, tocando pra mim, porque trilha sonora é assim, não toca pros personagens mas toca pra gente, pra quem tá assistindo.

outro dia, e completamente não relacionado ao the cure, (mas relacionado ao chris cornell, que também causou momentos importantes essas semanas), me peguei ouvindo screaming trees, me peguei batendo cabeça na sala e dançando sozinha, e me peguei com saudades do mark lanegan, com saudades de como eu era quando ouvi a primeira música dele na vida, saudades de como ele cantava e preenchia meu ser, saudades de ser compreendida e contida nas músicas dele. a gente vai crescendo, né, e as músicas continuam lindas e tristes e intensas, mas talvez aos poucos a gente deixe de ser tão lindo e triste e intenso.

mas screaming trees continua sendo a maior banda do grunge pra mim, e i nearly lost you continua causando umas catarses aqui desse lado da tela.

ainda na vibe música e como a gente muda mas as nossas músicas continuam aí, intactas, resolvi vasculhar os porões da interwebs e achei o blog, inteirinho, da "miss belle x", que depois virou lolla moon e hoje escree aqui. reler o cantinho terrorista me lembrou de ser adolescente, de amar música e odiar o resto das coisas todas, e de se encontrar um pouquinho em músicas do the cure (e do smiths e do roy orbinson e em tantas outras). vez em quando entrava também nos arquivos do que tinha sobrado do blog encaixotando deanna, onde, inclusive, conheci o mark lanegan, o leonard cohen, o afghan whigs.... tenho pensado nessa coisa de ter blog e em como os blogs me ajudaram tanto a definir quem eu era. que loucura, né, que uns sitezinhos pessoais toscos (na época, em 2001, 2002, eram toscos) que a gente tinha que editar na mão mexendo no html podiam ter tanto impacto nas nossas vidas.

acho uma pena que a ~~juventude~~ de hoje não vai ter a relação com blogs que eu tive e que foi tão essencial pra mim. e acredito que a maioria deles não vai ter essa relação com música também. vejo a maioria dos meus alunos tão estagnados em relação à cultura pop - até os mais alternativinhos, que gostam de rock, se bastam nas bandas de fácil acesso, no tal do classic rock e no rock de 89fm de hoje em dia. como lidar com uma juventude que jamais vai usar a internet pra descobrir coisas como jeff buckley, pixies, smashing pumpkins.... como lidar com uma juventude que se contenta em consumir o presente do jeito que ele é nos enfiado goela abaixo?

talvez eu esteja só ficando velha e assimilando aquele discurso horroroso do "no meu tempo......", mas é o que eu sinto e é o que eu vejo (e nem posso mesmo sair bradando esse discurso, porque não é do meu tempo que eu gostaria que esses adolescentes se apropriassem, mas de tempos anteriores a mim também, e de todo o potencial de ter a internet nas mãos, e de toda a música maravilhosa espalhada por aí mas que a gente tem que se esforçar um pouquinho pra encontrar....)

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