22.9.17

young bones grow and the rocks below say: throw your white body down

a música shakespeare's sister sempre me pareceu a melhor verbalização daqueles momentos e fases que tudo parece te dizer que você não vale a pena. tem cansaço, tem comparação eterna com todo mundo ao meu redor, tem coisas que eu escuto sobre mim que eu absolutamente não reconheço mas se tão dizendo que sou assim é porque devo ser, né? e quando a gente olha pra trás e percebe tanta mudança, supostamente pra melhor, pra ver no fim que você continua sendo a mesma pessoa, pra sempre. não importa como eu seja, como eu tente mudar, como eu me porte, no fim eu ouço as mesmas coisas.

o que as pessoas falham em ver é que tá todo mundo na merda. e eu tô aqui me esforçando pra não trasbordar meu esgoto nos outros, por pura consideração sabe, consideração pelas pessoas que tão cada uma aí vivendo seu próprio esgoto. não quer dizer que eu sou uma polyanna, não quer dizer que é fácil ser assim. é um puta esforço. ser a pessoa tranquila e divertida e de boa. é um PUTA esforço. pra no fim eu lidar com meu esgoto sozinha, dentro da minha cabeça, encostada no travesseiro, tomando banho, limpando a casa, andando com a cachorra, sempre. e ainda descobrir que todo meu esforço serve só pras pessoas me acharem fria e insensível.

e foda-se. podem me achar o que quiserem. eu não consigo ficar bem por mim e pelos outros o tempo todo. e honestamente não vou ficar bem por ninguém no momento.

em shakespeare's sister o eu-lírico evita se jogar nas pedras lá embaixo porque vai encontrar quem ama. e, né, muito morrissey isso, compensar toda a merda com amor. como se amor mudasse as coisas. pode ter amor, não muda a merda que a gente se sente em certos momentos. aí agora tô ouvindo essa música da haim, que é mais ou menos a mesma coisa. a primeira estrofe me remete totalmente ao primeiro verso da música dos smiths (que tá aí no título)

I hurl into the moment like I'm standing at the edge (I know)
That no one's gonna turn me 'round
Just one more step, I could let go
Oh and in the middle,
I hear the voices and they're calling for me now (I know)

mas elas dizem em algum momento que no one is ever enough. não tem amor nem nada nem ninguém que salve a gente da gente mesmo.

e seguimos caindo nesse abismo interminável que é a vida (e nossos mentes), né.

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